Balanço de 2018

Lembram-se? Há um ano exato, hoje (quer dizer, naquele 1 de janeiro), dizíamos: "Enfim, 2018!" Felizmente, hoje (hoje, mesmo, 1 de janeiro de 2019) podemos encarar o Novo Ano sem parecer um náufrago a chegar à praia. Entramos em 2019 de papo cheio.

Se não puder ser tão bom como 2018, seja, quando a esmola é grande o ex-pobre desconfia. Ex-pobre, disse eu, porque, exatamente, acabámos de passar o 2018 e foi só néctar e ambrosia - repeti-los era capaz de nos tornar soberbos e abusadores. Recapitulemos as graças que nos calharam no ano que passou.

Foi bonito, logo em janeiro de 2018, no regresso aos trabalhos da Assembleia da República, ver os parlamentares unidos e arrependidos. Deram a palavra, unânimes, à Assunção Cristas, que começou por pedir desculpa por ter feito chicana sobre o financiamento dos partidos, quando "o meu partido e do Jacinto Leite", disse ela, não é virgem nesses pecadilhos. Depois, "em nome de todos os deputados", ela anunciou a rediscussão do assunto. Discutiram frente às câmaras de tevê o nosso dinheiro para eles, chegaram às mesmas decisões de 2017 e nós gostámos. Quando nos ligam, ficámos derretidos.

Foi também bom um arrependimento do Presidente Marcelo. Há pouco mais de um ano, talvez se lembrem, ele foi hospitalizado. Então, reparou que o seu superior na hierarquia do Estado, o Povo, não foi visitá-lo - e Marcelo gostou. Ele percebeu que às vezes as pessoas precisam de estar sozinhas. Em 2018, os abraços e selfies tiveram uma queda quase igual à taxa de desemprego e do endividamento do Estado.

É, o Centeno continuou grande a baixar taxas. Lá fora, também foi bom. O melhor, claro, foi no primeiro aniversário da tomada de posse do antigo presidente americano: Trump demitiu-se. Poucos acreditavam que ele o fizesse: quem ia acreditar que bastava um ano para ele perceber que era presidente da América?

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