Tesla: o inventor que mudou o mundo e dá nome ao aeroporto de Belgrado

O apelido Tesla deixou de ser apenas um nome de família para se converter numa marca e num símbolo poderoso da invenção e da renovação científica não final do século XIX e na primeira metade do século XX.

Nascido em 1856 em Smiljan, ainda Império Áustro-Húngaro, e falecido em Nova Iorque em janeiro de 1943, Tesla nunca se casou e morreu sem deixar filhos. Foi um sobrinho que tratou do seu espólio e criou condições para que a Sérvia o assumisse como um herói nacional, ao ponto de ter dado merecidamente o seu nome ao Aeroporto Internacional de Belgrado. O seu rosto é visível em posters e em espaços de referência da cidade, existindo também um museu que o homenageia e destaca os seus inventos e contributos para a evolução científica do século XX.

Nikola Tesla morreu pobre e lutando sempre pelo reconhecimento da sua obra. Tenho na minha mão um exemplar do livro My Inventions, uma cativante biografia científica de Nikola Tesla que vale a pena ler e discutir.

Em Nova Iorque, Nikola Tesla manteve uma relação próxima e tensa como Thomas Edison e conheceu bem Albert Einstein.

Para muitos, ele terá sido um dos cientistas mais injustiçados do século XX, desde logo por não ter sido galardoado com o Prémio Nobel da Física, tal como Stephen Hawking, e por ter lutado, tantas vezes de forma inglória, pelo reconhecimento justo da sua obra excecional. Era um homem magro, com um bigode fino e com a força de convicções inabaláveis.

Conseguiu avanços extraordinários nos campos da engenharia mecânica e eletrónica que ajudaram a mudar a história do mundo e a evolução da própria tecnologia. O seu trabalho teórico contribuiu para formar a base dos modernos sistemas de potência elétrica em corrente alternada, incluindo os sistemas polifásicos de distribuição de energia, com os quais muito avançou a chamada Segunda Revolução Industrial.

Depois de ter demonstrado em 1894 a transmissão sem fios e ter sido o vencedor da Guerra das Correntes, tornou-se conhecido como um dos maiores engenheiros eletrotécnicos dos Estados Unidos da América. Abriu, talvez como nenhum outro, as portas para o futuro, defrontando-se sempre com a incompreensão e a inveja de muitos dos seus contemporâneos.

Possuindo uma verdadeira memória fotográfica, conseguia decorar livros inteiros. Foi frequentemente um homem doente e nunca deixou de reconhecer a importância da inspiração no seu singular processo de descoberta. Estudou em Budapeste e em Paris antes de se ter radicado nos Estados Unidos em junho de 1884.

Nikola Tesla também contribuiu com diferentes ações e descobertas para o estabelecimento da robótica, do controlo remoto, da ciência computacional e para a expansão da balística, da física nuclear e da teórica. Em 1943, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos creditou-o como sendo o inventor do rádio. Algumas das suas teorias foram utilizadas para analisar o fenómeno dos OVNI e para apoiar o ocultismo New Age. No entanto, a importância científica das sua descobertas ficou sempre salvaguardada e confirmada.

Em Nova Iorque, Nikola Tesla foi contratado para trabalhar para Thomas Alva Edison, um grande inventor que não tinha a solidez da sua formação científica mas invejava os seus êxitos. Tesla trabalhou na Edison Machine Works em Manhattan. Começou a trabalhar como simples engenheiro eletricista instalando e reparando lâmpadas e depois evoluiu para a resolução de problemas cada vez mais complexo.

Para o compensar, Edison ofereceu-lhe um aumento de dez dólares sobre o salário semanal de 18 dólares, depois de lhe ter dito que lhe daria 50 mil dólares pela qualidade do seu trabalho. Tesla demitiu-se e afastou-se de Edison, que nunca deixou de o observar e de o vigiar no plano tecnológico e científico.

Nikola Tesla era notável poliglota falando, além de sérvio, checo, francês, italiano, alemão, húngaro inglês e latim. Tinha muitas fobias e obsessões. Não aceitava ficar em quartos de hotel cujo número fosse divisível por três, porque o três era o seu número omnipresente e obsessivo.

Sabe-se também que era um amante de animais, encomendando sementes para aos pombos que alimentava no Central Park. Detestava pessoas obesas. Naturalizou--se norte-americano com 35 anos e tinha um prazer especial em imaginar formas histriónicas e inovadoras para apresentar os seus inventos. Gostava de música erudita, de boa comida e de bebidas com qualidade. Manteve-se celibatário, enaltecendo essa atitude, mas sabe-se que muitas mulheres o seguiram e amaram.

Hoje Nikola Tesla é uma memória poderosa e distante que conseguiu transformar o século XX com o seu génio científico. O aeroporto de Belgrado, onde estive recentemente, tem o seu nome e orgulha-se com esta ligação que também é afetiva, científica e política.

Escritor, jornalista e presidente da SPA

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