Sporting sempre!

1. À hora em que escrevi estas linhas, já sabia que o Sporting não conseguira ser campeão nacional de futebol da I Liga. Isso não obstante ter sido o Sporting a melhor equipa: no futebol praticado, na força anímica dos seus jogadores, no calor dos seus adeptos, na audácia do seu treinador, na pertinácia dos seus dirigentes, em especial o seu presidente Bruno de Carvalho. Como sportinguista desde que me conheço, confesso o meu desapontamento por quase lá termos chegado, sensação tanto mais forte quanto é certo parecer que ficámos a poucos metros daquele propósito.

2. Se não conseguimos, interessa que tenha sido por pouco. E não há nisso qualquer masoquismo ou gosto pela frustração: há é a observação objetiva do muito que se fez nestes últimos três anos por um rejuvenescido Sporting. Não vou aqui falar das minhas responsabilidades de presidente do conselho fiscal e disciplinar deste grande clube: sabem que não tem havido descanso nas muitas reuniões e melindrosas decisões tomadas - a mexer com muitos interesses instalados - e no acompanhamento de numerosos assuntos novos a que a atual direção do clube tem incansavelmente metido ombros. Refiro-me fundamentalmente à auditoria de gestão, que muitos prometeram, mas que só neste mandato se efetivou, contra tudo e contra todos.

Escrevo como dirigente e, sobretudo, como adepto e sócio comum.

3. Como dirigente atento - mas que não está em exclusividade, pois que mantenho a minha profissão de advogado, árbitro e professor universitário, exercendo aquelas funções a título gratuito - não deixo de todos os dias me impressionar pelo enorme dinamismo que se tem vivido no Sporting: dinamismo na alma e na sensatez das decisões da gestão; dinamismo na procura de novos caminhos; dinamismo na perspicácia e na antecipação do que se precisa num mundo em transformação.
Decerto que há uma mudança de paradigma que a atual direção do Sporting está a protagonizar, profissionalizando a sua gestão. A gestão desportiva tem de deixar os tempos medievais em que se fundava no poder carismático de um "patrão" que tudo faz, pedindo as cunhas e os favores a este e àquele.

Como igualmente já não é possível gerir um clube com base numa conceção "patrimonialista" do mesmo, como se fosse de umas quantas famílias "nobres e eleitas", que dele se apoderaram para, paulatinamente, irem delapidando o seu património e gravando-o de dívidas, sem os correspetivos resultados desportivos. Sem dúvida que esta mudança de paradigma que se realiza no Sporting assenta num espírito de forte democratização dos processos de decisão, nos quais os sócios livremente participam, com base na transparência das decisões.

4. Como adepto entusiasmado, a alegria é ainda maior pelos resultados desportivos com que o Sporting tem sido brindado, e não apenas no futebol. Lembro-me bem - como se fosse hoje - a situação que se vivia, no futebol, quando os atuais órgãos sociais tomaram posse: salários em atraso, posição mais para baixo do que para cima na tabela classificativa, o estádio vazio, o gozo dos nossos adversários em apoucarem o nosso clube, especialmente os da "margem esquerda da 2.ª Circular"...

Tudo isso se reverteu, apesar de termos sido brindados com uma gigantesca dívida, que em condições habituais ditaria a falência do clube. O que temos agora: um grande campeonato, com um quase primeiro lugar, a reconciliação do Sporting com os seus adeptos, a recuperação dos velhos sócios que por pouco tinham deixado de acreditar e o crescimento exponencial de novos sócios.

Mas também importa dizer que se fez o reforço das modalidades, abrimos a Sporting TV, bem como lançámos o Pavilhão João Rocha, que se espera pronto até ao fim do ano. Voltou a ser um grande orgulho dizer-se que se é do Sporting: na família, nos amigos, no trabalho, nos alunos, na sociedade. Só assim podia ser lembrando o nosso lema, que nos incumbe pôr em prática, em qualquer tempo e lugar, seja qual for a nossa condição, dirigente ou humilde adepto: esforço, dedicação, devoção e Glória!

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