Sob o signo do cantautor

Sala Luís de Freitas Branco cheia para ouvir o ensemble Sete Lágrimas "desembrulhar" o programa Quantas Sabedes Amar Amigo, dedicado a toda a extensa linhagem que se chamava de "trovadores" nos tempos medievais e que atravessou os séculos até ser cunhada de "cantautores" no século XX e atualidade. Em programa, peças galaico-portuguesas de Martim Codax, trovas de Dom Dinis e de Juan Ruiz, vilancicos do período renascentista, um lundum da transição para a Idade Moderna e, enfim, um salto para José Afonso (Dorme Meu Menino) e Márcia (A Pele Que Há em Mim). Note-se que a maior parte foi dada em versões/arranjos e mesmo reconstruções preparadas(os) pelos músicos.

Uma viagem sem dúvida longa, mas à qual se poderia ter talvez reduzido a componente medieval, incorporando antes uma modinha e quiçá um poema de fado, tal como ele poderia ser cantado em finais do XIX. Os Sete Lágrimas apresentaram-se numa conformação que, além dos habituais Filipe Faria e Sérgio Peixoto (cantores e criadores do ensemble), alinhava Pedro Castro (bisel, charamela e oboé barroco), Tiago Matias (cordas dedilhadas históricas), Rui Silva (percussões históricas) e Mário Franco (contrabaixo). Grande versatilidade, portanto, explorada ainda pelas sempre diferentes opções interpretativas: solo ou dueto vocal, acompanhamento desde o tutti até um só instrumento, solos ou ritornelos instrumentais, sendo que da parte dos próprios cantores (articulando-se bem com o trabalho de luz) também a postura física era muito variável, desde o mais recolhido até arranhar o "gingão". Tudo isso contribuiu para um concerto com um ritmo decerto compassado, mas sempre cativante, que terminou bem para além da hora prevista. Em extra, uma canção de embalar japonesa que os Sete Lágrimas fizeram pela primeira vez ao vivo.

crítico

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