Saber aproveitar a onda gigante do turismo

O mar sempre esteve associado a uma boa parte da realização do potencial nacional. Nos Descobrimentos, na gastronomia e na forja da nossa identidade, o mar sempre marcou uma presença estratégia, umas vezes para a nossa afirmação, outras tantas para pequenos retrocessos, numa relação em que a natureza impõe sempre a sua lei. Na Nazaré, fruto da atividade piscatória e da singularidade das condições geradas pelo Canhão da Nazaré, o mar sempre foi uma âncora identitária e económica. É ao sol e ao mar que Portugal vai resgatar boa parte do seu potencial turístico internacional. Em 2016, fruto da conjugação do trabalho de quem intervém no setor e da conjuntura internacional, com as ameaças de segurança em alguns destinos tradicionais, estamos a vivenciar mais um ano de excelência que em muito contribui para o crescimento económico que a nossa economia regista. Mais do que qualquer euforia da conjuntura, este é o momento de prosseguir com a qualificação de uma aposta sustentável da oferta turística, além da sazonalidade e das conjunturas. Este é o momento de continuar a apostar no setor, na sustentabilidade das economias locais e na sua afirmação internacional.

É essa procura de sustentabilidade, de desenvolvimento local e de projeção de Portugal como destino turístico que justifica a aposta na realização de eventos nacionais e internacionais associados aos desportos de mar, que projetam o nome de Portugal junto de públicos e de circuitos turísticos relevantes. A realização, pela primeira vez em Portugal, de uma das oito etapas mundiais do Circuito de Ondas Gigantes da Liga Mundial de Surf, que agora começa e se prolonga até 28 de fevereiro, consolida todo nosso potencial no aproveitamento das potencialidades que o mar do Canhão da Nazaré nos proporcionam durante todo o ano.

Num quadro em que, no discurso público, a economia do mar conseguiu conquistar a relevância que o seu peso económico e potencial encerra, tanto mais que Portugal procura ampliar a sua plataforma continental marítima, com sentido de futuro, de sustentabilidade e de valorização dos traços da nossa identidade, precisamos de ser consequentes na ação.

A valorização do território das zonas costeiras, o aproveitamento equilibrado dos recursos do mar e a afirmação das marcas de identidade das comunidades que têm uma relação estreita com o mar são apenas algumas das pistas fundamentais para o desenvolvimento local.

O contributo que os Açores, a Costa Vicentina, Cascais, a Ericeira, Peniche e a Nazaré podem dar para o bom momento do turismo português deve ser tido em conta quando se coloca em cima da mesa a alocação de recursos suscetível de funcionarem como catalisadores do nosso crescimento económico. Só assim o discurso público sobre a economia do mar e sobre o potencial de Portugal neste campo terá a correspondente consequência na ação.

O exemplo da Nazaré, que assentava boa parte da sua estratégia de desenvolvimento local no resultado da atividade piscatória e na sazonalidade da visita de turistas de praia durante o verão, mas agora conseguiu consolidar um novo equilíbrio de iniciativas associadas ao mar durante todo ano, é sintomático do caminho que devemos prosseguir. Valorizar sempre o nosso potencial sem o destruir, encontrar nichos de afirmação que sejam diferenciadores e concretizar estratégias que assegurem a dinamização das economias locais e o desenvolvimento das comunidades.

Na marginal da Nazaré, no Sítio, no Forte de São Miguel Arcanjo como outrora da Lagoa da Pederneira, onde se trabalharam as madeiras do real pinhal de Leiria e das matas monásticas de Alcobaça para construir embarcações para os Descobrimentos, dizemos presente neste desafio de levar mais longe o nome de Portugal, uma vez mais associados ao mar.

Presidente da Câmara Municipal da Nazaré

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