Quem espera não tem necessariamente de desesperar

O processo de vacinação tem sido complexo. A ansiedade da população é grande, assim como as suas expetativas. No prisma da dimensão, também a gestão de um plano de vacinação destinado a mais de 440 milhões de pessoas, espalhadas por 27 países, não é uma operação logística para a qual exista um paralelo comparativo no velho continente. Mesmo com as particularidades apontadas, para além do número inferior de vacinas face ao esperado, o plano tem avançado sem sobressaltos de maior.

Em Portugal, o plano de vacinação contra a Covid-19 está em marcha a todo o vapor. Os centros de vacinação vão aumentando, o desempenho e administração das vacinas está hoje a bom ritmo, permitindo apontar para resultados positivos a médio prazo. Estamos acima da média europeia.

Aliás, esse dinamismo permite já dizer que temos hoje mais pessoas vacinadas (mesmo que só com a primeira dose) do que infetados desde o início da Pandemia. Este é um dado muito relevante. Mantendo o ritmo, no final do mês teremos quase toda a população com mais de 80 anos vacinada, ou seja, os mais vulneráveis.

E será precisamente no final de março, com a Páscoa, que se prevê a chegada do tão almejado desconfinamento. Até lá, aumentará o número de vacinados e daremos passos largos para alcançar a imunidade de grupo. Quanto a estes factos, arrisco-me a dizer que vivemos uma situação de paz social e política.

Depois da vacinação, a atenção centra-se no Plano de Desconfinamento. Aqui, sou forçado a referir a apologia do "depressa e bem não há quem". Um plano com esta importância não pode ceder a pressões de ordem política e pessoal. Sustento que o Governo de António Costa apresente aos Portugueses um Plano de Desconfinamento eficaz, completo e sério. Em bom rigor, é mais fácil barafustar sobre a necessidade avulsa de um plano do que elaborar o próprio.

Não nos esqueçamos que 2021 é ano de eleições autárquicas. Com este elemento presente, até se poderia perceber a crítica pela crítica. Todavia, neste caso em concreto, fala-se de um desígnio demasiadamente importante para a vida de toda população.

É um momento onde os interesses políticos devem ceder espaço às necessidades dos portugueses. Embora a tentação seja grande, inovar nesta altura seria propor medidas concretas e unir, ao invés do ruído gratuito. Cocriar. Esse sim é o verdadeiro desafio. E até que o repto seja aceite, deixemos que o Governo planeie cuidadosa e atempadamente, ouvindo quem deve ouvir e quem quer e pode acrescentar valor.

No dia 11 conheceremos o plano que nos devolverá gradualmente a "liberdade coletiva". Até lá, lembremo-nos que a descida continuada e verificada do número de infetados e internados, com o consequente alívio do SNS e dos seus profissionais, depende do trabalho e responsabilidade de todos.

Enfrentamos enquanto Sociedade uma anómala e colossal disrupção social e económica. Porém, já demos provas da nossa resiliência. Estamos a poucos passos de virar o Cabo e alcançar a Boa Esperança. O caminho é este e qualquer precipitação poderá deitar tudo a perder. A nossa determinação, confiança e resolução serão determinantes para o sucesso desta caminhada.

Advogado

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