PRR para quê?

Novos tempos se aproximam e novas mentalidades são necessárias.

É tempo de haver um foco na indispensabilidade de restituir confiança, investimento, crescimento, e resiliência à nossa sociedade, ao Estado, às organizações, empresas e ciência.

A resiliência será crítica para as sociedades reduzirem desigualdades, solidificarem o seu tecido empresarial e espírito de inovação, assegurarem a cada um as qualificações e competências que serão necessárias para garantir a competitividade da economia e, dessa forma, um futuro promissor a todos os cidadãos.

A grande questão é o que temos de fazer e como podemos chegar lá.

Em primeiro lugar, isso requere uma mudança de mentalidades. A solução não pode ser uma simples desregulamentação dos mercados, para facilitar o investimento, nem tão pouco prometer soluções que permitam a obtenção de lucros elevados a curto prazo, correndo o risco de se repetirem erros como os que culminaram na crise financeira de 2008. Mas também é preciso ter presente que não é suficiente aplicar a fórmula que tem sido adotada, assente numa política pouco orientada para resultados e que não tenha uma visão estratégica do que se pretende atingir e de para onde se vai. É fundamental procurar ter uma visão de longo prazo, apostar no investimento em I&D, na formação de parcerias que potenciem complementaridades, em formação e capacitação das pessoas, na digitalização enquanto centro de transformação da indústria e das empresas e nas tendências profissionais de futuro, para sermos uma economia moderna e preparada, eminentemente exportadora de produtos, serviços e conhecimento.

Há um desafio que é preciso ter em consideração e que nestes tempos de pandemia foi bastante percetível para todos, que é a necessidade de haver uma maior proximidade entre países, entre empresas, entre esfera pública e esfera privada, organizações sociais, cidadãos, num esforço de colaboração e parceria permanente em benefício do bem comum, em que todos devem adotar uma postura de colaboração e coordenação muito mais próximas do que tem acontecido. Assim, todos poderão contribuir para a comunidade, definindo-se em conjunto o caminho que é preciso trilhar e de que forma este pode ser ajustado, de acordo com prioridades e lacunas identificadas, contribuindo, assim, para a concretização de objetivos de política pública.

Devemos promover uma dinâmica coletiva, em que todos os agentes tendam a estar envolvidos num propósito comum, que é o de aproveitar a necessidade de recuperação económica para concretizar uma transformação social, educativa, profissional, na relação entre o Estado, as empresas e os cidadãos.

O Plano de Recuperação e Resiliência deve ter esse propósito, com objetivos definidos, consensualizados, um plano de execução concreto com indicadores que permitam avaliar o seu impacto e os seus efeitos na economia e no país e não procurar definir os eixos de investimento a realizar tendo por base o mero objetivo de colmatar o baixo investimento público que ocorreu na última década.

Economista e consultor

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