Portugal recebe mais estudantes americanos do que nunca

Todos os anos, em meados de novembro, quando nos Estados Unidos o Departamento de Estado e o Departamento de Educação assinalam em conjunto a International Education Week e as muitas vantagens que uma experiência internacional traz ao percurso académico de qualquer estudante, é publicado o Open Doors Report on International Educational Exchange.

2020 não foi exceção e o relatório Open Doors, publicado pelo Institute of International Education (IIE) e pelo Bureau of Educational and Cultural Affairs do Departamento de Estado norte-americano no início desta semana e apresentando dados anteriores à situação de pandemia, veio revelar que o número de norte-americanos que escolhem Portugal quando decidem estudar no estrangeiro continua a aumentar de forma muito significativa.

O relatório dá conta de um crescimento de 27,9% em 2018/2020 em relação ao ano anterior, com um total de 1096 estudantes americanos a escolherem como destino as instituições de ensino superior portuguesas. Para além de se ter ultrapassado pela primeira vez a barreira dos 1000 estudantes americanos em Portugal, o nosso país subiu uma posição no ranking dos vinte países europeus que recebem um maior número de estudantes americanos, ocupando agora o 18º lugar, com uma taxa de crescimento sem paralelo nessa lista de países.

A Europa continua a ser a primeira região de destino, atraindo 56% do número total de estudantes americanos, número esse que em termos globais cresceu também 1,6% (para um total de 347.099).

O relatório Open Doors revela também que o número de estudantes internacionais que frequentaram instituições de ensino superior americanas no ano lectivo 2019/2020 apesar de ter sofrido um decréscimo de 1,8%, ultrapassou, pelo quinto ano consecutivo, a barreira de um milhão de estudantes internacionais, com um total de 1.075.496. O número de estudantes portugueses inscritos em instituições de ensino superior norte-americanas diminuiu também, na ordem dos 4%, para 934. Mais de 30% dos estudantes portugueses (296) estão nos EUA a fazer mestrado ou doutoramento

No ano em que comemora o seu 60º aniversário, a Comissão Fulbright tem trabalhado, em conjunto com a Embaixada dos EUA em Portugal, a FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, o Camões I.P., a Fundação Carmona e Costa, o Governo Regional dos Açores e muitos outros aliados e parceiros, nomeadamente as instituições de ensino superior portuguesas e norte-americanas, no sentido de reforçar o intercâmbio educacional e cultural entre Portugal e os EUA.

A oferta de bolsas de estudo, o aconselhamento e orientação educacional dos estudantes, a organização e participação em eventos de recrutamento de estudantes portugueses e norte-americanos, a aposta na capacitação daqueles que definem e operacionalizam a internacionalização do ensino superior e da ciência são alguns exemplos da nossa atividade que permitem reforçar os laços de entendimento mútuo e de diplomacia pública entre Portugal e os Estados Unidos.

O impacto da pandemia de COVID-19 decerto se fará sentir este ano e no próximo na mobilidade internacional de estudantes e disso nos dará conta o Open Doors Report de 2021. No entanto, ao longo dos anos em que o relatório tem vindo a ser publicado, às grandes crises do passado, inclusive provocadas por pandemias, seguiram-se sempre períodos rápidos de recuperação na mobilidade académica. Em particular no que diz respeito à atratividade de Portugal junto dos estudantes americanos, a esperança é a de que os números sejam rapidamente repostos, retomando a tendência de crescimento verificada até agora.

De momento resta-nos esperar que a situação de pandemia seja ultrapassada, cientes de que tal só será possível através dos esforços conjugados dos diferentes países e de uma robusta cooperação científica internacional, do tipo de cooperação que tem sido promovida e incentivada pelo Programa Fulbright desde a sua criação em 1946.

Diretora Executiva da Comissão Fulbright - Comissão para o Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos da América e Portugal

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