Cinderela de Beverly Hills

"Bem-vindos a Hollywood! Qual é o seu sonho? É aqui que toda a gente vem. Isto é Hollywood, a terra dos sonhos.” As palavras que se ouvem no final de Pretty Woman são um convite para voltar. Não sei quantas vezes regressei a essa terra dos sonhos, nem me lembro da primeira vez que vi o filme - só sei que foi em VHS -, mas recordo cada momento e sofro por antecipação na cena em que Vivian está prestes a ser agredida e violada pelo sócio do “príncipe” Edward. Vivian foi a primeira personagem principal de Julia Roberts, e também a sua primeira nomeação para o Óscar nessa categoria (já tinha tido outra, mas de secundária). Era a protagonista que fazia qualquer rapariga sonhar, e punha o irmão, o primo e o vizinho a suspirarem, invejosos por não serem Richard Gere…

Este é o filme que trouxe o fairy tale para as ruas de Beverly Hills e fez de uma prostituta a Cinderela mais encantada. O segredo deste grande sucesso reside nessa magia hollywoodesca que transforma um cenário pesado numa fantasia calorosa. Pretty Woman é, ainda hoje, o título mais popular quer da filmografia de Julia Roberts quer do realizador Garry Marshall (1934-2016). Um sonho muito bem vendido, através de uma jovem (Julia tinha então 22 anos) que conseguiu uma espécie de milagre com aquela sua gargalhada estrondosa, quando Richard Gere lhe entalou os dedos na caixa do colar precioso que usaria numa noite de ópera.

Essa brincadeira de Gere não estava no guião do filme, e ofereceu à cena a espontaneidade que continuamos a testemunhar na atriz, agora no novo Wonder - Encantador, no papel de uma mãe extremosa. Para quem não se recorda, nessa noite em que o “príncipe” Edward leva Vivian à ópera - com esta a envergar o mais vermelho dos vestidos vermelhos -, é a La Traviata de Giuseppe Verdi que a espera, fazendo ressonância na sua vida. E ela emociona-se, numa bela cumplicidade com os atores em palco.

* Crítica de cinema

Mais Notícias

Outras Notícias GMG