Arquitectura não desaparece

Nunca no mundo existiram tantos arquitectos! O entusiasmo pelos cursos mantém-se alto, apesar da incerteza. O que nos faz sentir mal é provavelmente a crise cultural e política na Europa do Sul

Desde sempre a arquitectura tem de ser adequada. Adequada aos objectivos e aos meios de que dispõe: ao programa que refere o seu propósito, e ao lugar que a torna única.

Neste esforço diligente é possível - não é automático - que a arquitectura aconteça. E seja reconhecida. Este esforço diligente envolve--nos a todos. Todos de alguma maneira desenhamos e nalgum momento decidimos.

Nunca no mundo existiram tantos arquitectos! O entusiasmo pelos cursos de Arquitectura mantém-se alto, apesar da incerteza. Em 2006, a arquitectura espanhola era consagrada numa exposição no MOMA em Nova Iorque e considerada uma das mais importantes do mundo; poucos meses depois, com a bolha imobiliária, quase desapareceu! O que nos faz sentir mal é provavelmente a crise cultural e política na Europa do Sul.

Esta crise que nos rodeia obriga-nos, em certa medida, a reinventar a nossa atitude para mantermos a possibilidade de tocar a inteligência e a sensibilidade das pessoas com a invenção de construções.

A uma prática crítica devemos também juntar os contributos da investigação em temas de arquitectura. Só recentemente se começaram a compreender as potencialidades da interacção com a investigação, com a reflexão sobre processos construtivos, e com a indústria. Sem considerarmos estes contributos é certamente mais difícil conseguir uma verdadeira adequação e mais fácil perdemo-nos no romantismo das linguagens.

O que torna a arquitectura mais interessante, é a sua real interdependência com tudo o que se passa no mundo. Os sítios, os programas, as disponibilidades. A arquitectura é, até chegarmos a ela, um processo de conhecimento incontornável. Depois de construída passa a fazer parte desse processo. Constitui-se como parte de um sistema de comunicação em si, diz coisas que só a arquitectura consegue transmitir.

A arquitectura não depende da escala nem do orçamento. Depende da interacção que consiga estabelecer connosco. Mesmo em 2016.

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