Amazónia vista por Jacques Cousteau

​​​​​​O cientista francês Jacques Cousteau, (1910-1997), decidiu em 1936, estudar a Amazónia para se certificar se esta era o pulmão do mundo ou o plâncton dos Oceanos. A palavra plâncton originária do grego plágcton, significa errante. Tem referência às populações botânicas e zoológicas que vivem sempre em suspensão nas águas doces, salobras e marinhas. Ao grupo de animais denomina-se zooplâncton e dos vegetais fitoplâncto. O plâncton encontra-se na base da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos, uma vez que serve de alimentação a organismos maiores.

O biólogo alemão Johannes Muller, finais do século XIV, encontrou ao sabor das águas seres completamente desconhecidos, compostos de inúmeros organismosvegetais e animais. Entusiasmado, passou a estudá-los. Mas, foi empregada pela primeira vez por outro biólogo alemão Victor Hensen, em 1887, baseado "nas partículas orgânicas que flutuam livres e involuntariamente pelos corpos das águas, independente da costa e do fundo", como assegurou.

Cousteau, como oficial da Marinha Francesa, no mar Mediterrâneo inventou o "acqualang", espécie de escafandro leve e prático que utilizou em mergulhos autónomos. Sua aventura como explorador começou em 1950, ao reformar um barco de 43 metros, da II Guerra Mundial que baptizou de "Calypso", navio-laboratório, colocando-o nas missões científicas em viagens específicas pelos oceanos e bacias hidrográficas do mundo, quando passou a dirigir o Instituto Oceanográfico de Mónaco em 1957, e em 1959, desenvolveu grandes campanhas em pról da preservação dos Oceanos.

Em Junho de 1982, deslocou-se a Amazónia. Aportou em Belém do Pará, ponto inicial da viagem de estudo naquela região. A jornada compunha-se de várias embarcações:como hidroavião, helicópteros e três caminhões, um deles, anfíbio. Subiu o rio, percorreu em 18 meses 6,2 mil quilómetros entre a foz do Rio Amazonas e sua nascente nos Andes, no Peru, na exploração da maior floresta tropical do planeta. Viajou por terra, água e ar para conhecer pormenorizadamente o território. Curiosamente, percorreu idêntico trecho do português Pedro Teixeira, após 345 anos da viagem pioneira que demarcou nos dois sentidos, toda a extensão do maior rio do mundo para Portugal.

Jacques Cousteau, na ocasião disse:" Hoje o mundo está ciente sobre guerras nucleares, mas essa irá desaparecer. A guerra do futuro será entre aqueles que defendem a Natureza e aqueles que a destroem. A Amazónia estará no topo das discussões: cientistas, políticos e artistas irão vir aqui para ver o que está sendo feito pela floresta". Depreende-se que era uma profecia para quem assiste os acontecimentos na actualidade.

JQ, ao se deslocar em barcos pequenos, únicos meios de transporte na região, admirou-se da cor desfigurada das águas quando o rio está no seu nível mais baixo. Pescou o peixe piranha, surpreendeu-se com a variedade de plantas medicinais e a sua utilização na medicina popular; acompanhou a extracção do látex, e o fabrico da farinha de mandioca. Sobre a fauna assistiu a focagem do jacaré, nadou com os botos, e entusiasmado com a cor vermelhados mesmos, baptizou-os de "golfinhos cor-de-rosa", permanecendo para a eternidade. Constatou a riqueza mineral na Amazónia, e no país das chuvas viveu os 40ºC do clima tropical, dentre outras descobertas.

Sobre o "Encontro das Águas", esclareceu o porquê dos rios Solimões e o Negro não se misturarem nos seus 18 quilómetros de extensão. Por terem temperaturas diferenciadas, o Solimões 22ºC e o Negro 28ºC. Analisou os tipos das matas: Terra Firme, Várzea e Igapós. Quanto a quantidade anual da chuva com seus 25 trilhões de m3, explicou a sua distribuição: 50% a floresta utiliza para a sua sobrevivência, 25% é evaporada e o restante 25%, escoada pelos rios. Afirmou, ainda que na Amazónia, a quantidade de carbono na floresta é significativa, razão de ser interpretada como um filtro ecológico por reduzir a quantidade de CO2 na atmosfera.

Jacques Cousteau, ao morrer deixou um legado riquíssimo de informações sobre a Amazónia, que pode ser constatado na literatura, história, etnologia, geografia, pintura e cinema, além de outras fontes, para ampliar conhecimentos.

Jornalista e historiadora brasileira

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