Pompeo em Israel e Netanyahu na Arábia Saudita

A visita secreta do Primeiro-Ministro israelita à Arábia Saudita para se encontrar com o Príncipe Herdeiro Mohamed Bin Salman, já foi desmentida e confirmada por entidades suficientes, para se manter a dúvida razoável sobre esta deslocação, mas não parece improvável, dada a importância dos Acordos de Abraão e dado tratar-se da reta final da Administração Trump, a qual tem neste Acordos, o Adquirido que poderá salvar a mesma de um fracasso em todas as frentes.

Praticamente em simultâneo à potencial visita israelita ao coração dos detentores dos lugares santos do Islão, está o Secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), Mike Pompeo, a deslocar-se de Neom, a cidade do futuro, saudita, para Telavive. A ter ido, Netanyahu aterrou nesta mesma cidade no Domingo à noite, onde o Príncipe Herdeiro recebera antes o Ministro americano.

Como referi em artigo anterior, os Acordos de Abraão são como o Glutão do detergente, absorvendo países desavindos e transformando o oficioso em oficial. De facto, o ambiente no Médio Oriente é de Guerra Fria e, oficiosamente é Israel que protege a Arábia Saudita da ambição prosélita e de virtude de xiitas sobre sunitas, o que tem as naturais consequências em ambições políticas, económicas e bélicas. O complicado, mas mais do que inevitável estabelecer de relações diplomáticas entre "Povos do Livro", virá apenas oficializar o oficioso, passando a falar-se à "boca cheia", sobre aquilo que até aqui se fala à "boca pequena", permitindo também às próprias populações saírem daesquizofrenia e das mentiras colectivas.

O genial, se quisermos caracterizar este momento que poderá ficar para a História como o contributo Trump para a Paz, é o de confirmar o que já existe na prática, sendo o maior obstáculo a opinião pública, fruto de gerações sob sistemas de ensino que demonizaram, desde a 1ª Classe o Outro, da forma mais primária e, com o intuito de tirar do indivíduo, do cidadão, do aluno, do jovem, do recruta, o pior que se pode tirar do Ser Humano. Serão estas mesmas opiniões públicas que agora terão dificuldade em aceitar que os mesmos que lhes incutiram esse ódio, sejam os mesmos que agora querem confirmar a paz por todos os motivos óbvios. Por isso mesmo, culturas que se vangloriam sobre o valor da palavra dada, precisem de assinar um papel, precisamente para se passar do oficioso para o oficial, forma única de dar a estas mesmas gerações agora algo confusas, Adquiridos a perder, passando do copo meio vazio para o copo meio cheio!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo/Arabista

www.maghreb-machrek.pt

O Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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