Brilhante Moon

Graças a Moon Jae-in, os Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeongchang foram um sucesso, reafirmando o prestígio internacional da Coreia do Sul como país desenvolvido dinâmico, próspero e democrático. O presidente sul--coreano conseguiu não só que a Coreia do Norte suspendesse as atividades militares e a retórica agressiva como foi ainda capaz de organizar uma equipa unificada coreana, sob uma única bandeira. E, aproveitando a visita de altas figuras do regime norte-coreano, criou as condições para um encontro em abril com Kim Jong-un, que será apenas a terceira cimeira intercoreana desde a divisão da península no final da Segunda Guerra Mundial.

Mas o mais surpreendente é que Moon não se ficou por aqui. Uma missão sul-coreana foi a Pyongyang e regressou a Seul com uma ideia extraordinária: um convite de Kim para um encontro com Donald Trump, que assim que foi comunicado a Washington teve uma surpreendente resposta positiva do presidente americano. Nestas últimas semanas a conversar, à margem dos Jogos Olímpicos, com o número dois do regime norte-coreano e com o vice-presidente americano, também com uma irmã de Kim e uma filha de Trump, deram este brilhante resultado, que combina bem com perfil de Moon, um crente no diálogo.

Filho de refugiados norte-coreanos, advogado envolvido na defesa dos direitos humanos quando a Coreia do Sul era governada por militares, braço direito de um antigo presidente do Sul que também teve uma cimeira com um homólogo do Norte, Moon sempre insistiu no diálogo, mesmo quando via Kim e Trump ameaçarem-se mutuamente de destruição, nuclear se necessário.

Embora idealista, foi o pragmatismo que motivou Moon. Qualquer conflito a envolver a Coreia do Norte trará mortes aos milhares na Coreia do Sul. Veremos agora o que consegue de Kim no encontro entre ambos, mas quando o líder norte -coreano e Trump se reunirem, Moon pouco ou nada poderá influenciar o resultado. E imaginar duas personalidades tumultuosas como Kim e Trump a conversar deixa qualquer um apreensivo, mesmo os sul-coreanos, que não têm outra alternativa como Moon sabe perfeitamente.

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