Adams e Trump

Que Donald Trump se preparou mal para os debates com Hillary Clinton foi evidente para quem os viu na TV em 2016. Não era com argumentos lógicos e factos bem estudados que o magnata a concorrer pelo Partido Republicano tencionava ganhar a Casa Branca. Aliás, nisso a candidata democrata era imbatível, com um percurso académico, profissional e político que fazia dela, como diziam os apoiantes e não só, a pessoa mais bem preparada que alguma vez concorreu à presidência.

Trump, porém, bateu Hillary e já celebrou o primeiro ano na Casa Branca. Agora, um tradicional estudo por historiadores sobre o desempenho dos presidentes coloca-o como o pior de sempre, numa lista que é encabeçada por Abraham Lincoln, o homem que fez a União ganhar a Guerra Civil e salvou assim os Estados Unidos. George Washington, pai da independência, e Franklin Roosevelt, arquiteto do New Deal e vencedor da Segunda Guerra Mundial, fecham o pódio, como já é hábito. Sem dúvida que qualquer um deles teve um desempenho excelente e reunia todas as qualidades para dar um grande líder.

Mas talvez o mais preparado de todos os presidentes americanos tenha sido John Quincy Adams, filho de um presidente, cultíssimo, diplomata com longa carreira na Europa, secretário de Estado e verdadeiro autor da famosa Doutrina Monroe. Homem de princípios morais altíssimos (antiesclavagista, por exemplo), Adams filho, contudo, chegou à presidência sem ganhar o voto popular e no único mandato que desempenhou foi incapaz de impor as suas políticas. Por isso ocupa um modesto lugar a meio da tabela definida pelos historiadores.

Voltemos, pois, a Trump. Por interessante que seja como exercício académico esta classificação dos presidentes, incluir o inquilino da Casa Branca em funções não faz sentido. Tudo à volta dele é política e portanto torna impossível o distanciamento histórico necessário - para alguns, objetividade. Sabemos que a preparação de Trump para o cargo foi deficiente, basta pensar que nunca teve um cargo político ou um comando militar, mas como mostra o caso de Adams filho também não é uma preparação de topo que faz de alguém um grande presidente automaticamente. É preciso dar tempo ao tempo e Trump será avaliado, um dia, pelo que fez na Casa Branca. Alguém, por muito que desgoste do magnata do imobiliário, tem a certeza de que será mesmo o pior de sempre?

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