Odisseia na Hungria

Fui bafejado pela sorte, foram-me atribuídos bilhetes para assistir ao primeiro jogo de Portugal contra a Hungria.

Quando me candidatei, ainda, não sabia qual a equipa que nos podia calhar. Saiu-nos na rifa a Hungria. Não sei se estão a ver um adepto português a ver um jogo em Budapeste contra a Hungria?!

Com a pandemia, fazer uma viagem destas foi uma odisseia. Comprei os bilhetes de avião e rezei para que o teste PCR à Covid-19 desse negativo. Parti no domingo, fiz o teste sexta-feira, o resultado negativo chegou sábado.

À chegada a Budapeste, depois de um transbordo em Munique, o controlo foi digno de um antigo país na órbita soviética, apesar de, a Hungria ser um país da UE. Olhares desconfiados, tiraram fotos de todos os documentos: passaporte, teste à Covid e bilhete de jogo. Foi uma recepção promissora!

Já na Hungria, como o teste feito em Portugal passava as 72 horas, tive que fazer novo teste para entrar no Estádio Puskás Aréna. Depois de grandes dificuldades de encontrar o local, pela nula informação das autoridades húngaras e sem apoio da FPF. Fiz o teste e tive que esperar o resultado para poder levantar a pulseira de acesso ao jogo. O resultado chegou via e-mail, mas a palavra-passe retirada de uma combinação dos meus dados pessoais não funcionava. Tive que ligar ao laboratório que me fez o teste e resolver o problema.

A seguir sujeitei-me a uma enorme fila para levantar a pulseira. Fiquei exausto e o jogo ainda nem tinha começado! Comecei a rezar para esta odisseia, com tanta burocracia e obsctáculos, o jogo valesse a pena.

Pois bem, o jogo teve tudo para acabar mal. Porém, os últimos cinco minutos justificaram todo este sacrifício e confusão.

A Hungria, liderada por Viktor Orbán, não tem nada de democrático, interfere nos tribunais, persegue homossexuais, branqueia o nazismo, etc..

Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

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