O regresso dos EUA

A reunião dos líderes do G7, no Reino Unido, teve como primeira novidade a presença de Joe Biden, que assumiu os propósitos do regresso dos EUA à problemática que orientou os responsáveis pela vitória na Guerra Mundial de 1939-1945, e que o antecessor na titularidade desse seu cargo, supunha ter eliminado, até aqui não calando a sua avaliação de regressar ao poder. A generalidade dos ocidentais tem esperança de que nenhuma oportunidade admitirá a concretização da ameaça, esperando conseguir a fidelidade de todos ao conceito estratégico americano, e que seja vencida a crise mundial decorrente do ataque da covid-19.

O conjunto de propósitos do G7 destaca sobretudo as numerosas intervenções destrutivas do governo americano anterior. Tratando o ataque da covid-19 como de uma guerra, convém medir e assumir os custos militares que estão a atingir a capacidade financeira de todos os Estados. Não omitindo a necessidade visível de aliados pobres mas fiéis. Recentemente, tendo em vista factos portugueses, o ilustre doutor Ricardo Ferraz publicou um oportuno livro sobre a Grande Guerra e a Guerra Colonial, com dedicatória "Aos Heróis da Grande Guerra e da Guerra Colonial". Ali conclui que os encargos com a Primeira Guerra Mundial foram autênticas "bombas orçamentais" no seu tempo, e que na Guerra Colonial só os encargos com as forças militares extraordinárias foram sinónimo de uma longa e prolongada ferida para os cofres públicos. Esta contribuição para conseguir a avaliação dos custos públicos aconselha a que a guerra da pandemia vai ter custos no mesmo sentido e realidade. Na reunião da Cornualha, os líderes do G7 não deixaram de incluir no conceito estratégico o controlo à pandemia, o tema climático e, não omitindo os deveres da segurança e da defesa, o propósito de combater a influência da China. O presidente dos EUA, que assumiu a cooperação global que o antecessor apagara na ONU, deu-lhe uma forma de liderança global, pela diplomacia, e não pelo princípio com que o antecessor resumiu o poder com palavras breves: "America First." O presidente Biden resumiu o regresso afirmando que "a América está de volta ao trabalho de liderar o mundo ao lado de nações que partilhem os nossos valores mais próximos". Trata-se da solidariedade que levou à intervenção na última Guerra Mundial, e não de um propósito de parceiros, com domínio, que ameaçou no valor com que a política anterior festejou a suspensão da intervenção do Tribunal Penal Internacional, por falta de cooperação dos Estados. É evidente que o G7 assumiu a China como o que o noticiário chama "alvo", mas é de recomendar que a palavra refere sobretudo a competição habitualmente entendida como designando a concorrência que se manterá enquadrada pelo direito, e não pelo uso da força que apenas ganha legitimidade para responder à agressão de tradição militar.

A batalha da pandemia assumiu a leitura de os mais enriquecidos não deixarem de participar na ajuda aos mais desfavorecidos. Um discurso que não confunde o direito da concorrência legal com o recurso à força. No fundo, a cooperação que a Carta da ONU anuncia tem como primeiro objetivo despertar a consciência e a liberdade, pela aceitação global da dignidade, dos direitos humanos, e de uma justiça confiável, no programa que a Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa resumiu neste conceito: "aumentar a proteção das minorias religiosas, dos refugiados e dos migrantes". Quando o G7 anunciou a "China como alvo", tem como premissa, que se espera respeitada a medida aceitável da ética das concorrências, sendo expressas as palavras de Biden: "A América está de volta ao trabalho de liderar o mundo ao lado de nações que partilham o mundo, ao lado de nações que partilhem os nossos valores mais próximos."

Foi seguramente o sentido valioso do doutor Liviu, na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, no 70.º aniversário da Declaração de Direitos Humanos das Nações Unidas, no sentido de promover a proteção das liberdades fundamentais com base na dignidade humana. As palavras foram estas: "Como os organizadores sublinharam no documento do programa: 'o objetivo deste seminário internacional é trazer novas ideias para o debate contemporâneo sobre a dignidade humana na vida e na morte...' na Europa e na América, nos séculos XX e XXI". De facto, a iniciativa que a famosa universidade organizou procurou reunir eruditos, diplomatas, políticos, líderes religiosos, interventores na sociedade civil. É louvável que este ambiente da famosa universidade tenha promovido a importante reunião, com regresso dos EUA à cooperação. Vai enfrentar, com referência especial da Rússia e da China, a situação que uma avaliação académica adotou, perguntando pela capacidade de enfrentar o que chamam le grand basculement. É a sua adesão a um conjunto de valores, que assegura a autenticidade que se espera e a coragem de enfrentar os riscos.

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