O que define uma família?

O que define uma família? Serão os laços biológicos ou os afetos? A casa onde vivem ou a cor da pele? E será que os adultos e as crianças têm diferentes definições de família?

O Dia Internacional da Família celebra-se em breve e torna-se o mote para uma reflexão sobre este tema, especialmente pertinente atendendo a todas as mudanças sociais a que assistimos nos últimos anos e que exigem um olhar mais inclusivo e abrangente.

Até há relativamente pouso tempo, a família definia-se pela existência de laços sanguíneos e pela celebração do ritual do casamento. De um modo algo estereotipado, a família nuclear era constituída pelo pai, mãe e filhos, rodeada depois pela família alargada.

Mas esta representação de família como modelo único deixou claramente de fazer sentido, atendendo a toda uma diversidade de situações. Assim, temos crianças que vivem com o pai e a mãe biológicos, outras que vivem com os pais separados em casas diferentes ou apenas com um pai ou uma mãe. Outras ainda vivem em acolhimento familiar ou residencial, com pais que os adotaram ou com dois pais/duas mães. Muitas crianças vivem também com outros familiares (como tios e avós, por exemplo), em famílias numerosas ou multiculturais.

As crianças salientam a importância dos afetos como a cola que une as pessoas e que as tornam parte de uma mesma família. E é tão simples assim.

Assistimos, portanto, a uma diversidade familiar enorme que, contrariamente ao que possamos pensar, em nada confunde as crianças.

Porque as crianças, ao invés de muitos adultos (tradicionais e com valores mais conservadores), centram-se naquilo que realmente importa. E, por isso, quando questionadas sobre o que define uma família, nada referem sobre os laços de sangue, a cor da pele, o género ou o local de residência. As crianças não distinguem a "família da mãe" da "família do pai", os "filhos verdadeiros" dos "filhos adotivos" ou os "irmãos" dos "meio-irmãos". As crianças salientam a importância dos afetos como a cola que une as pessoas e que as tornam parte de uma mesma família. E é tão simples assim.

Dito isto, rapidamente percebemos que, na perspetiva da criança, família é apenas uma. Como me disse uma vez um menino, "família são as pessoas de quem gostamos e que gostam de nós".

Neste contexto, e a propósito do dia que se aproxima, centremo-nos no amor e no carinho, no cuidado e na atenção, e consigamos colocar de lado todos os preconceitos e estereótipos que apenas discriminam e nos afastam uns dos outros.

Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal

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