O fracasso é de Barreto e não da 'geringonça'

O fracasso é de António Barreto e não da 'geringonça' como diz na entrevista ao "Diário de Notícias". Como é possível afirmar que o acordo de esquerda nada fez na economia e finanças, se, nomeadamente, obteve o melhor défice da história da democracia portuguesa?

Costumo dizer que o disparate é livre, mas, meus senhores, não abusem. E António Barreto abusa, claramente.

É evidente que a situação actual, pós-pandemia, não é brilhante, só que a culpa é da Covid-19 e não da 'geringonça'. Toda a Europa está em dificuldades, por causa do coronavírus.

Antes da pandemia, o desempenho da 'geringonça' foi deveras assinalável e, ao contrário do que Barreto afirma, melhor até que na paz social, porque houve um enorme surto grevista e múltiplas manifestações da CGTP-IN. Os direitos dos trabalhadores foram sempre respeitados.

Os indicadores económicos falam por si - o melhor défice; o maior crescimento do século e o desemprego a baixar para níveis históricos!

Como se pode ignorar o que se chamou o sucesso português, que levou a que Mário Centeno fosse apelidado de Ronaldo da Ecofin, assumindo a presidência do Eurogrupo? O que foi uma honra para o nosso país, dado que, pela primeira vez, um português desempenhou esse cargo.

A trajectória política de António Barreto, que era socialista e hoje está conotado com a direita, poderá explicar o teor, algo incompreensível, destas afirmações ao "Diário de Notícias".

Mas há uma coisa, que me parece elementar - seja qual for o nosso quadrante político-ideológico, nunca se deve perder o respeito pela verdade.

António Barreto diz ainda que é estúpida a ideia de ilegalizar o Chega, o que, sinceramente, também não percebo. Que eu saiba, quando foi deputado constituinte não disse que era estúpida a ideia de proibir a ideologia fascista no nosso país. Porquê só agora? E mais. Se o Chega continuar com rédea solta, teremos brevemente uma força política fascista em toda a sua plenitude, o que é uma ofensa grave a todos os antifascistas que procuraram e conseguiram derrubar o fascismo, arriscando a própria vida. E nesses encontravam-se muitos socialistas, entre os quais António Barreto, que esteve onze anos exilado.

Estúpido talvez seja, não a ilegalização do Chega, mas defender hoje a extrema-direita, quando no passado a combatemos! Enfim, uma entrevista para esquecer, pouco própria de um doutorado em sociologia política.

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