O contributo do ensino superior politécnico na recuperação pós-pandemia

Está para chegar o tão falado PRR - Plano de Recuperação e Resiliência cujo objetivo é ajudar o país a sair da crise provocada pela pandemia.

Ao ensino superior é proposto um conjunto de oportunidades que obriga, desde logo, a um grande empenho e a uma cada vez maior ligação ao território. É preciso trabalhar com as empresas, com as instituições da economia local, mas também com as grandes empresas exportadoras e com os organismos da administração pública central e local.

A implementação do PRR assenta numa maior aposta em capital humano, deixando espaço para o aumento do número de diplomados; para a simplificação administrativa; para a transição digital do ensino superior e para este poder participar nas soluções de digitalização das empresas; para a criação de, pelo menos, dez escolas de pós-graduação, em consórcio, que respondam às necessidades das empresas em quadros especializados; para o aumento do número de camas para alojamento estudantil; para a participação em alianças mobilizadores e em alianças verdes para a reindustrialização; para o aumento da educação de adultos; para a modernização da administração pública; para se formarem milhares de jovens nas áreas STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts and Mathmetics) de que o mercado já necessita; para uma participação científica na mudança da floresta e no combate aos fogos, ajudando a profissionalizar e a capacitar o sistema; para a modernização das empresas, com a implementação de novas tecnologias, novos processos de produção, de comercialização e de comunicação; para apostar no empreendedorismo de base digital.

As instituições de ciência e ensino superior podem, pois, ter um papel de relevo na recuperação e, fundamentalmente, na reconstrução da economia nacional. Basta que saibam ser céleres e ágeis, como exige o curto prazo de implementação do plano, que deverá estar concluído em cinco anos.

O ensino superior politécnico está particularmente bem posicionado para ajudar o país nesta recuperação, não só pela sua matriz de ensino mais curto, de que são exemplos os CTeSP - Cursos de Técnicos Superiores Profissionais (com dois anos de duração), mas também pela presença em cerca de 40% dos concelhos no país. Dados recentes evidenciam que este é o subsistema que mais cresceu em número absoluto de alunos, dando um contributo relevante para as metas já ultrapassadas de, a nível nacional, superarmos os 40% da população na faixa etária 30-34 anos com diploma de ensino superior até 2020. É também este ensino o que mais contribui para a equidade de acesso, não só pela proximidade aos estudantes, nomeadamente no interior do país, mas também por ser o que oferece o maior número de oportunidades aos estudantes do ensino profissional.

Por fim refira-se que o ensino superior politécnico, através dos diversos centros de inovação e desenvolvimento por que é responsável, tem atraído a deslocação de empresas para fora dos grandes centros, motivando a fixação de jovens diplomados e contribuindo para o abrandamento da desertificação demográfica.

Talvez seja esta mais uma oportunidade de o país perceber a importância dos politécnicos no seu desenvolvimento, pela qualidade, diferenciação, aplicabilidade e empregabilidade dos seus diplomados, mas também pela capacidade de inovar, investigar e desenvolver.

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra

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