Medicina Intensiva ganhou o desafio

A crise pandémica veio colocar sob pressão a capacidade de resposta da Medicina Intensiva, sentida sobremaneira onde as insuficiências eram maiores, como nos hospitais da região centro. A realidade vivida nos diversos serviços de Medicina Intensiva dos hospitais desta Região, face a esta inopinada tempestade pandémica pelo SARS Cov 2, constitui mais uma prova positiva da grande capacidade de adaptação do SNS, concretizada pelo aumento dinâmico das respostas.

Na área da ARS Centro, desde fevereiro de 2020 até fevereiro de 2021, o número de camas em cuidados intensivos de nível mais diferenciado cresceu 153%, passando de 80 camas (75 ativas) para 202 camas disponíveis (Covid e não Covid)! É uma realidade hospitalar que significa esforço e dedicação de todos os profissionais, e empenho das administrações, mantendo-se em simultâneo uma resposta para internamento de doentes críticos não Covid (52 camas). Um exemplo atual do compromisso do SNS em dar o melhor ao maior número possível!

Neste último ano, já ouvi falar mais de medicina intensiva, publicamente, do que em 31 anos de intensivista e de 42 anos no SNS. Fruto dos tempos, a sociedade civil e as autoridades de saúde finalmente acordaram para uma realidade deficitária em número de camas e em recursos humanos, nomeadamente intensivistas.

As consequências serão uma adequada capacitação dos serviços de Medicina Intensiva a nível nacional, para que a resposta seja perene e não circunstancial, com um número de camas tendencialmente estável para as necessidades normalmente identificadas, em linha com o previsto no relatório da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva (CARNMI). Na realidade atual, essa capacitação, quantitativa e qualitativa, já passou do papel à prática, com os projetos aprovados.

No nosso país, as insuficiências desta área médica há muitos anos que estão identificadas, designadamente no que respeita ao adequado número de camas disponíveis, distante da média europeia de 11,5 camas por 100 mil habitantes.

Na Região Centro, esse rácio, em fevereiro de 2020, era mais baixo do que a média nacional - 4,6 versus 6,4 por 100 mil habitantes. Na atualidade foi feito um esforço de acréscimo de capacitação, proporcional aos números deficitários quer de camas quer de recursos humanos qualificados nos sete hospitais da ARS Centro com serviços de Medicina Intensiva. Naturalmente que, neste cenário, a dificuldade de expansão da resposta que a realidade pandémica exigiu tinha de ser maior porque se partiu, na Região Centro, de um número base menor de camas.

É mais difícil de crescer e de expandir quem é mais pequeno e tem menos, mas conseguimos, credibilizando o SNS!

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