Mais ensino superior para um Portugal mais competente

Na semana em que grande parte dos estudantes chega ao ensino superior e num ano em que o número de candidatos foi o mais alto de sempre, importa revisitar a importância de continuarmos a apostar num ensino de qualidade direcionado ao maior número de pessoas possível.

A frequência do ensino superior tem vindo a aumentar e são cada vez mais os jovens que o fazem, mas também os adultos já com vida profissional que regressam ou que ingressam pela primeira vez. As múltiplas formas criadas para aceder ao ensino superior proporcionaram oportunidades a mais estudantes.

É importante realçar que a margem de crescimento é muito grande e, ainda que possamos estar felizes com o número cada vez maior de jovens a obter uma formação superior, são ainda cerca de 50% os jovens que abandonam os estudos no final do ensino secundário (obrigatório). Importa perceber porque o fazem e duas das eventuais razões são preocupantes: ou entendem que o ensino superior não lhes acrescenta oportunidades, nomeadamente de cariz financeiro, ou o ensino básico e secundário não foi suficientemente entusiasmante para os levar a prosseguir os estudos.

No segundo caso devemos perceber as razões e corrigi-las, nomeadamente tornando atrativa a carreira de professor que, sabemos todos, tem muitas vicissitudes para resolver.

No primeiro caso é preciso que as instituições de ensino superior e o mercado de trabalho sejam melhores comunicadores na oferta que fazem. É necessário continuar a passar a mensagem de que estudar possibilita o acesso a profissões mais diferenciadas e mais bem remuneradas; significa mais oportunidades e a ligação a um mundo maior através da diversidade e da internacionalização que o ensino superior permite. É preciso dar a conhecer que hoje há apoios destinados a famílias com menor poder económico disponibilizados pelo poder central, pelas próprias instituições de ensino superior, pelas autarquias e mesmo por instituições e empresas que fazem mecenato nesta área.

Importa, também, que o ensino seja, cada vez mais, feito em partilha com os futuros empregadores, conjugando o ensino fundamental com o ensino aplicado e proporcionando um contacto com o mundo do trabalho desde cedo. É preciso diversificar a forma de ensinar e criar novos contextos e ritmos de aprendizagem que garantam a ausência de abandono escolar e proporcionem, tanto quanto possível, rendimento económico aos jovens que o pretendam.

Em resumo: é determinante que não se perca a dinâmica que a pandemia nos obrigou a criar e que o caminho seja para a frente e não de retorno a um tempo que carecia de reforma. Temos a obrigação (Estado central, instituições de ensino superior e empregadores) de manter e alargar estratégias que sejam convincentes para trazer cada vez mais pessoas ao ensino superior e assim garantir que teremos uma população cada vez mais competente, capaz de resolver problemas às empresas em Portugal ou, por opção pessoal (e não por obrigação), noutra qualquer parte do mundo.

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra

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