José-Augusto França, presidente emérito

O Grémio Literário perdeu um dos seus sócios de maior referência dos últimos tempos, um sócio insubstituível, que deixa uma marca ontem, hoje e amanhã.

José-Augusto França será na história do Grémio Literário e na história de Portugal um homem da cultura literária e da história da arte.

A sua biografia, extensa formação  académica e brilhante carreira como artista, poeta, escritor, historiador, sociólogo e crítico de arte é conhecida e está por demais escrita em vários órgãos de comunicação social neste momento da sua morte.

Quero relembrar aqui o sócio, presidente emérito do Conselho Literário, o homem do mundo à frente do seu tempo num país ausente da modernidade artística e cultural.

Mas José-Augusto França compreendeu a importância civilizacional que só a cultura e o saber podem dar para além das academias.

Estudou em Paris, na Sorbonne, e o encontro com o historiador Pierre Francastel foi fundamental para o papel do historiador das novas ciências sociais e humanas.

Os atos dos homens não são entendíveis fora do meio geográfico, social, económico e político a que pertencem. Foi com este conhecimento e com grande investigação que escreveu a obra relevante e fundamental sobre a História da Arte nos Séculos XIX e XX em Portugal, sobre O Romantismo, A Baixa Pombalina e muitos outros estudos e artigos sobre arte e crítica de arte.

O Romantismo, centrado no indivíduo, foi um movimento com grande relevância na fundação do Grémio Literário, nos seus fundadores, que consideravam a importância da valorização do pensamento e da criação artística, estando a civilização intimamente ligada à produção intelectual, cabendo um papel importante à literatura como meio transmissor de conhecimento e de formação identitária.

Com este princípio, José-Augusto França, que fez do Grémio Literário a sua segunda casa, imprimiu no Grémio Literário esta orientação cultural e literária, organizando palestras, conferências, exposições, reunindo neste clube os maiores vultos da cena artística e literária. Foi também autor do livro Grémio Literário e a Sua História e é criação sua a atribuição do Prémio Literário Grémio Literário, prémio já com impacto e tradição entre nós.

Soleil et Ombres - L"art portugais au XIXème siècle, título de uma exposição José-Augusto França em Paris no Petit Palais em 1998, é um título que resume o estado do país e da luta que José-Augusto França teve para de uma forma crítica mas construtiva retirar Portugal de um estado sombrio e cinzento, para um estado iluminado pelo pensamento e pelo conhecimento.

Cabe ao Grémio Literário, aos seus sócios, não esquecerem a herança de José-Augusto França para lá da sua memória.

O homem partiu, mas a obra fica.

Presidente do Grémio Literário

Mais Notícias

Outras Notícias GMG