"Influencers" da Política Externa

Ainda que num alinhamento secundário, foi sendo noticiado ao longo do fim-de-semana que passaram 24 anos após a inauguração da EXPO 98. Como 24 não é um número redondo, certamente no próximo ano a data será celebrada com a pompa e circunstância que merece.

A falta de interesse mediático talvez seja também justificada pelo facto deste fim-de-semana ter sido extremamente profícuo em termos de matéria noticiosa. Assistiu-se à participação de alguns dos nossos mais altos representantes em ações relevantíssimas no palco mundial.

Por um lado, o Presidente engrandeceu a Lusofonia apresentando-se em Timor numa efeméride muito pertinente. E cada vez que se fala em Timor não é possível dissociar o país do sofrimento do seu povo, que foi vítima de uma ocupação pela Indonésia ao longo de (24) longos anos.

Portugal teve um papel decisivo no processo de independência de Timor Leste, contribuindo para a sua posterior autodeterminação. É muito significativo para o nosso país ter relações e influência nesta importante zona do globo. Desse modo, a presença do Presidente e do Ministro dos Negócios Estrangeiros em Díli assumiu-se como um acontecimento de extrema importância.

Na Europa testemunhou-se a presença do Primeiro-Ministro na Ucrânia. Da visita a Kiev e Irpin aos encontros diplomáticos mantidos ao mais alto nível, este evento solidifica a posição de Portugal como parte ativa e integrante da cena internacional.

Portugal, enquanto membro da União Europeia e da NATO, visitou, apoia e condena a agressão de que a Ucrânia é alvo, sendo um no conjunto de estados que vão ajudar a reconstruir esta nação em guerra. Foi por isso mesmo que, à nossa escala, assegurámos 250M€ de apoio e o compromisso de contribuir para a reconstrução de escolas na Ucrânia.

Este pequeno país à beira-mar plantado conseguiu em 20 anos apresentar-se ao mundo com uma Exposição Mundial, que marcou o desenvolvimento local e a sua projeção internacional. Localmente, foi criada uma nova centralidade na capital - que se tornou num caso de estudo a nível mundial -; globalmente, a então jovem democracia portuguesa, de 24 anos de idade, mostrou-se e afirmou-se de dentro para fora.

Grandes feitos exigem grandes Pessoas. E é por isso mesmo que devem ser lembrados todos os que têm feito do seu percurso profissional uma bandeira de projeção nacional. São disso exemplo os cargos ocupados por portugueses na Presidência da Comissão Europeia, Assembleia-geral das Nações Unidas, diversos Altos Comissariados das Nações Unidas ou a Secretaria-Geral da ONU.

Conclui-se, assim, que o desdobramento dos nossos representantes máximos no passado fim-de-semana pelos palcos mundiais é um sinal de grande preponderância na política externa mundial. É também um firme sinal de estabilidade, cooperação e concertação para que, por cá, seja possível continuar a apreciar os feitos alcançados em paz, segurança e com saúde.

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