Geração GOAT

Um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, bastante alargado na amostra, veio colocar a nu a realidade que muitos jovens têm vivido em Portugal.

Ouvidos quase cinco mil jovens entre os 15 e os 34 anos, as conclusões são arrasadoras. Porque demonstram a falta de esperança existente nas novas gerações.

Um terço tenciona emigrar, pois não vê oportunidades em Portugal. Muitos desistem de prosseguir estudos no ensino superior por falta de dinheiro. Três em cada quatro têm salários inferiores a 950 euros e 53% estão mesmo abaixo dos 770 euros. Há 57% ainda a viver em casa de família. Ao nível do bem-estar psicológico, os resultados são também preocupantes.

Quando se fala para a juventude fala-se exactamente para quem? Para os adolescentes? Para os menores que ainda nem podem votar? Para os que atingiram a maioridade e pensam mais no seu percurso profissional? Para os que já trabalham, independentemente das opções escolares que fizeram, por conta de outrem ou se lançaram no seu próprio negócio? Para os que já saíram ou os que ainda estão em casa de família?

Diria que para todos. Independentemente da sua idade, do seu estágio de vida.

Estes jovens eleitores vivem num país que nos últimos 25 anos viu as oportunidades serem dramaticamente reduzidas. 19 desses 25 foram dominados por governos socialistas.

Quando Portugal aderiu ao que hoje é a União Europeia foi-nos prometida a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais. Num designado "mercado único" condensado numa única liberdade, a de oportunidades.

Muitos partiram em busca dessas oportunidades. Infelizmente as políticas aqui seguidas neste quarto de século tornaram essa busca numa fatalidade, não numa escolha. Por isso muitos partiram sem regressar.

Enquanto não se alterarem políticas em Portugal, enquanto se insistir numa teia de dependências, enquanto o regime fiscal continuar a sonegar-nos o fruto do trabalho, enquanto os salários não garantirem independência, as novas gerações continuarão a ser empurradas para longe.

Por isso é importante alterar as políticas, devolvendo o poder aos portugueses.

Reduzir impostos é devolver-nos esse poder. Melhorar o acesso aos cuidados de saúde, também. Permitir que as famílias escolham a melhor escola para os seus filhos, igualmente.

Devolver o poder de escolha às pessoas não tem sido a opção de vários governos em Portugal. Por isso, cada vez mais jovens sentem que a emigração é a única possibilidade que lhes resta. Partir é a opção mais favorável.

Os que por cá ficam vão adiando os seus projectos de vida. Saem mais tarde de casa, não arriscam empreender. Ter filhos tornou-se praticamente um acto de coragem.

Se nada se alterar, daqui a 25 anos alguém estará a escrever um texto semelhante a este. Provavelmente num grito de desespero por já quase não haver jovens nesse Portugal futuro. Porque demasiados terão emigrado rumo às mais diversas paragens e porque poucos terão imigrado, escolhendo o nosso país para acolhimento.

Termino com uma nota de esperança. No próximo dia 30 há eleições legislativas. É uma oportunidade única para sermos agentes da mudança. Não sou imparcial, confesso. Integrarei as listas da Iniciativa Liberal, um partido que quer mudar as políticas, alterando tudo quanto nos vem impedindo de ultrapassar os patamares da mediania e da estagnação. Quero ver Portugal a crescer, quero que este seja um país com melhores e mais justos salários. Quero que a geração Greatest of All Time tenha futuro.

Post scriptum: por integrar lista candidata nas legislativas, suspendo esta minha colaboração com o DN até às eleições.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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