Escolher bem para decidir melhor

Vivemos num tempo em que o "agora" comanda as nossas vidas e esquecemo-nos de que é na continuidade que construímos a nossa felicidade.

Tudo decidimos pelo resultado que esperamos obter o mais rapidamente possível e com esta atitude comprometemos qualquer hipótese de um futuro melhor.

Um projeto de vida é absolutamente indispensável para podermos caminhar e construir a nossa passagem na Terra.

Não é difícil dar exemplos desta realidade nas mais diferentes componentes da nossa vida. Seja na educação dos nossos filhos, na escolha do emprego, na opção dos nossos investimentos ou nas nossas escolhas políticas.

Para sabermos medir o nosso sucesso em qualquer daquelas vertentes temos de estabelecer objetivos para cada uma delas. E para conseguir atingir aqueles objetivos temos de planear o nosso caminho.

É exatamente isso que não fazemos hoje.

Estamos nas vésperas de novo período eleitoral com decisões que afetarão as nossas vidas nos próximos quatro anos e, uma vez mais, corremos o risco de decidir sem pensar no que mais importa:

- Quem são as pessoas em quem vamos votar? O que pensam essas pessoas sobre a vida dos portugueses? Em que é que acreditam como valores da sua conduta? Como veem o futuro do nosso país? Que objetivos colocam e que caminho escolhem para aí chegar?

Pelo contrário, escolheremos aquele que parece dar-nos mais benefícios no imediato, que parece mais simpático, ou apenas aquele que é apoiado pelo partido em que temos votado, sem sequer sabermos se representa os seus ideais.

Com este caminho continuaremos cada vez mais a comprometer a qualidade das nossas escolhas, permitindo o crescimento das soluções populistas com promessas de resultados imediatos, sempre conseguidos à custa de irremediáveis prejuízos futuros.

O resultado destas opções será sempre uma situação catastrófica que terá de ser resolvida com uma solução de governo forte e de liberdades diminuídas.

É por isso que acredito ser este o momento de voltar a tratar de nós com maior preocupação, aplicando mais tempo à análise dos candidatos e à sua proposta de ação para o cargo que pretendem desempenhar.

É fundamental conseguir exigir a cada candidato que venha a público explicar aquilo que pretende fazer e é essencial podermos distinguir sobre a qualidade desses candidatos e dessas propostas.

Por isso é indispensável pedir um debate, aberto e acessível ao público, entre os candidatos que permita a cada um expor as suas ideias, que permita também serem questionados sobre essas ideias e propostas, de forma que fique claro aquilo que podemos esperar da sua atuação.

Mas é também essencial que os eleitores compreendam a importância desta oportunidade para que seja verdadeiramente melhorada a nossa escolha.

Eu quero ouvir um debate entre Medina e Moedas, mas todos os restantes eleitores devem exigir ouvir os candidatos da sua região para que depois possamos avaliar a sua performance e os seus resultados.

Todos reconhecem que o mundo precisa de mudar e que a pandemia nos ajudou a compreender o que temos de fazer diferente.

Para mim é claro que a mudança está na qualidade de quem nos dirige e na responsabilidade que assume perante o nosso futuro.

Para isso temos de escolher bem para exigir melhor.

bruno.bobone.dn@gmail.com

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