Enfrentar o presente, construir o futuro

Hoje, as expectativas e as exigências dos portugueses face aos seus representantes são claras e justificadas: é tão importante combater o vírus e a sua propagação como acelerar a recuperação económica do país. É indubitável que a pandemia Covid-19 arrastou consigo uma forte crise económica e social à escala mundial, com consequências dramáticas para Portugal.

É neste contexto que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) assume um papel absolutamente fundamental. Ao refletir, em grandes reformas e investimentos, o maior pacote de medidas e de estímulos alguma vez financiado pela União Europeia, procura robustecer o país tornando-o mais resiliente, mais verde e mais digital, centrado na coesão territorial e nas pessoas.
Foi com este espírito que todos, com maiores ou menores responsabilidades, fomos convocados a participar na discussão pública do PPR. No global, foram rececionados cerca de 1600 contributos e efetuadas mais de 65 mil consultas ao documento, números que reforçam a importância de instrumentos que incentivem uma cidadania mais ativa e uma democracia mais participada e esclarecida.

Enquanto Presidente da Câmara Municipal de Odivelas, empenhei-me de forma determinada neste processo, consciente que o Poder Local é, cada vez mais, um catalisador de excelência no desenvolvimento e na resiliência dos territórios, reforçado agora com acrescidas responsabilidades, decorrentes do processo de descentralização administrativa.

A inclusão no PPR do "Metro Ligeiro de Superfície Odivelas-Loures", como um dos investimentos estruturais da dimensão "Transição Climática", constitui, sem dúvida, uma importante conquista para a zona norte da Área Metropolitana Lisboa e uma grande vitória, em particular, para o município a que presido.

Trata-se de uma antiga e legítima reivindicação, que representará um investimento de 250 milhões de euros, gerando mais e melhores condições de mobilidade, menor pressão automóvel, maior sustentabilidade ambiental e um impacto significativo na qualidade de vida das pessoas.
Considero, também, muito relevante para o sucesso da concretização deste Plano, a necessidade de reforçar a representação de setores tão importantes como o Turismo, a Cultura ou as Indústrias Criativas. O desígnio da coesão territorial, à escala regional e nacional, passa em larga medida pela aposta em políticas diferenciadoras que estimulem áreas económicas estratégicas e que reconheçam a educação, o empreendedorismo e a inovação como eixos decisivos para a sólida recuperação que o país necessita e ambiciona.

Defenderei, nesta ótica, a regeneração do Mosteiro de Odivelas como uma prioridade-chave a integrar neste PRR. Ao contemplar, no projeto de reabilitação em curso, polos estudantis e residências universitárias, um núcleo museológico, a construção de um amplo parque verde de fruição e lazer, torna-se inegável que a nossa visão para este símbolo do património histórico e cultural do país se encontra alinhada com as orientações estratégicas vertidas neste Plano europeu de emergência.

Devemos, por isso, trabalhar com afinco para enfrentar o presente, por mais duro que seja, sem desviar as atenções da construção de um futuro que preconize um país mais desenvolvido, mais sustentável, mais qualificado e com menos desigualdades sociais.

Presidente da Câmara Municipal de Odivelas

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