O pior do jogo

Há quatro dias, a seleção foi proibida de fazer um treino aberto aos emigrantes num estádio de Paris. A polícia francesa invocava razões de segurança para impedir que se escancarasse as portas e deixasse entrar perto de 19 mil pessoas. Alvo de dois atentados terroristas em um ano e a receber um evento que levará ao país 2,5 milhões de pessoas durante o mês do Europeu, França não está disposta a correr riscos desnecessários. Alerta máximo é a palavra de ordem. O que, incompreensivelmente, parece não chegar para evitar episódios diários de extrema violência. Futebol, álcool e hooligans, uma combinação explosiva numa Europa em que os casos de racismo e violência nos jogos dispararam nos últimos dois anos. Incendiados pelas crises económica e dos refugiados, alguns adeptos recuperaram os piores hábitos. As estatísticas apontam para um aumento superior a 20% nos crimes relacionados com jogos de futebol em países como Inglaterra, Itália ou Espanha e o crescente número de grupos neonazis nos países de Leste é descrito como muito preocupante. Juntá-los todos é acender uma carteira de fósforos ao lado de uma braçada de TNT. Porém, não se pensou num sistema de identificação rápida e punição exemplar - detenção, multas pesadas, proibição de entrada em estádios, o que fosse - para os casos de violência. O efeito está à vista: ainda o Euro 2016 não tinha arrancado e já havia dezenas de registos de espancamentos, confrontos, agressões e feridos mais ou menos graves. E nem a presença de polícias e militares armados até aos dentes nem os circuitos de videovigilância instalados num campeonato de segurança máxima têm sido suficientes para os travar. É urgente rever prioridades - as medidas antiterrorismo continuam no topo da lista, mas o combate ao hooliganismo tem de ser posto lá em cima. Sem desculpas, sem contemplações. Ou corremos o risco de este Euro ficar para a história como o de pior memória de sempre.

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