Corrida de fundo

Milhares de atletas vão desfilar no dia 5 de agosto no estádio do Maracanã com a alegria estampada nas caras e os corações em suspenso perante a hipótese de bater recordes pessoais, nacionais, olímpicos, levar para casa uma medalha mais especial do que qualquer outra, ou simplesmente pelo prazer de ter chegado até ali. Entre esses milhares de atletas estarão alguns diferentes de todos os outros. São estreantes porque participam pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, mas estes estreantes têm algo mais que se lhe diga. Além do desporto, une-os uma outra característica. Contam-se pelo menos onze, mas é possível que haja outros, que, como eles, viveram grande parte das suas vidas em campos de refugiados. Mangar Makur Chout é um deles e o DN conta hoje, na última página, a história deste sudanês que passou oito anos num campo de refugiados no Quénia, foi campeão nacional australiano dos 200 metros e que vai correr nas pistas do Maracanã com as cores de um país também ele estreante, o Sudão do Sul. Depois, há mesmo uma delegação de atletas sem pátria, todos eles refugiados - cinco do Sudão do Sul que vão correr no estádio olímpico, um maratonista etíope, dois judocas congoleses e dois nadadores sírios. Anjelina Nadai Lohalith, sul-sudanesa de 21 anos, é um destes atletas e é provável que se cruze na pista dos 1500 metros com a portuguesa Marta Pen. Quando Anjelina fugiu da guerra no seu país, à semelhança de milhares de outras crianças deslocadas e órfãs, refugiou-se do outro lado da fronteira, no Quénia, no campo de Kakuma, onde vivem mais de 180 mil pessoas. A jovem treina há seis meses no Quénia, com os quatro outros atletas compatriotas que vão viajar até ao Rio de Janeiro, e ninguém estranhará se nenhum deles conseguir chegar a uma medalha. São onze exemplos de jovens obrigados a lutar por tudo na vida - desde um prato de comida a um lugar no mundo. Um grão de areia entre os 65,3 milhões de pessoas que no final de 2015 se encontravam deslocadas em resultado de guerras, perseguições, violência e violações dos direitos humanos. James Nyang Chiengjiek, igualmente sul-sudanês e refugiado, que vai viajar até ao Rio com Anjelina para correr os 400 metros, explica a vontade de vencer: "Quando fazemos algo de que a nossa vida depende, não interessa se é difícil. Continuamos a correr, porque sabemos que precisamos de chegar ao objetivo."

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