Ao público

Durante agosto cabe-me ser diretor interino do Diário de Notícias, um jornal que vai a caminho do 152.º aniversário. E refiro a antiguidade do nosso jornal, que nasceu durante a monarquia e noticiou já três mudanças de regime, para reafirmar um compromisso que vem desde o primeiro dia: estar ao serviço do leitor. Foi isso que fizemos sob o mandato de André Macedo nestes dois últimos anos e será a regra que continuaremos a respeitar quando Paulo Baldaia assumir a direção a 1 de setembro.
Estes 152 anos, a contar a partir desse longínquo 29 de dezembro de 1864, servem também para relembrar que as pessoas são efémeras (até vultos como Eça de Queirós, António Ferro ou José Saramago), mas a instituição permanece. E sou testemunha disso, pois desde o dia 27 de julho de 1992, em que graças a Luís Delgado me sentei na redação para estagiar na secção internacional, conheci dezenas e dezenas de jornalistas brilhantes e uma série de diretores que souberam sempre acrescentar algo ao jornal, a começar por Mário Bettencourt Resendes (o meu primeiro diretor e quem primeiro acreditou em mim para lugares de chefia) e continuando com Fernando Lima, Miguel Coutinho, António José Teixeira, João Marcelino e André Macedo. Já agora, relembrar também aqueles que foram, como eu serei neste mês, diretores interinos: José Manuel Barroso, João Morgado Fernandes, Miguel Gaspar e Nuno Saraiva. Valentes.
"Acessível a todas as bolsas e compreensível por todas as inteligências" prometia o primeiro editorial do DN, quase de certeza escrito por Eduardo Coelho, o nosso fundador, e cujo título era "Ao público", como quem quer dizer "ao serviço do leitor". Era um conceito revolucionário para a época, pleno reinado de D. Luís, e continua atual, creio, mesmo que a edição em papel seja só um dos rostos do jornal, já que cada vez mais existem leitores que privilegiam o online. E se do preço cabe à administração tratar, já sobre a qualidade editorial temos nós jornalistas tudo a dizer. E é com uma redação trabalhadora, experiente e preparada e que queremos cada vez mais motivada que continuaremos a fazer o DN. A partir de setembro com o Paulo Baldaia, mas já hoje também, com uma edição pensada para um mês de descanso, com rubricas especiais a acreditar que as pessoas têm mais tempo para ler nestes dias, mas que prossegue com o caminho que vinha a ser feito, sempre com o compromisso de qualidade, de irreverência e de independência.
Boas leituras.

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