Danijoy Pontes: Vidas Negras Importam

Morreu à guarda do Estado e em circunstâncias não esclarecidas o jovem de 23 anos Danijoy Pontes. Uma tragédia que clama por Justiça. Um caso que moralmente nos convoca a reafirmar que Vidas Negras Importam.

Danijoy foi mantido em prisão preventiva durante 11 meses, um tempo infindo que ultrapassa todas as recomendações internacionais. Se pensarmos que o autarca branco do Chega que, segundo as notícias, tentou assassinar uma família sueca incluindo várias crianças aguarda julgamento em liberdade interrogamo-nos sobre a razão dos 11 meses de prisão preventiva para um jovem sem antecedentes criminais. É a estas realidades que muitos chamam racismo institucional na Justiça, dura a punir uns e a desculpar outros.

Danijoy era um jovem saudável antes de entrar no Estabelecimento Prisional de Lisboa, mas nos últimos tempos começou a ser medicado, sem que à família ou ao próprio fosse comunicada a existência de qualquer doença.

Nos meios prisionais e nas associações de apoios aos presos vem-se insistentemente falando em surdina mas já há algum tempo da política de controlar os presos com recursos a drogas (medicamentos). A ser verdade é importante saber quem receitas estas drogas, quais são, com que critérios são prescritas, quem as administra, que efeitos produzem, que perigos representam para os presos.

Num bairro da periferia de Lisboa vi um homem branco completamente destruído, em estado quase vegetativo, sem conseguir articular as palavras, nem andar direito, que segundo os amigos assim teria ficado depois do tratamento prisional. Mesmo depois de liberto tinha de continuar a tomar esses medicamentos, porque sem eles ficava ainda pior.

Nos dias que seguiram à morte de Danijoy o Presidente da República contactou a família para transmitir o seu pesar. Uma atitude louvável mas simbólica. Infelizmente não seguida pelas restantes autoridades que devem um esclarecimento à família sobre a morte e as circunstâncias em que ocorreu.

Passou mais de um mês sobre a morte de Danijoy Pontes. Tempo mais que suficiente para que as autoridades, a começar pela direção do EPL, contactassem a família e a esclarecessem sobre como deixaram morrer um jovem que estava à sua guarda.

É este silêncio que revolta. Que nos mostra que para alguns certas vidas não contam. A esses não queremos à frente de instituições públicas. Devem sair.

No dia 6 de novembro estaremos na rua por Danijoy Pontes. Para que a sua morte não tenha sido em vão e venha abrir caminho a maior igualdade no sistema Judicial e impulsionar uma reforma do sistema prisional que impeça que jovens como ele morram na flor da idade.

Vidas Negras Importam.

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