Cuba e o direito ao acesso à informação online*

*Ou por que razão defender o regime cubano é ser cúmplice de um crime de décadas contra o que significa ser humano.

Continuar a defender o regime cubano na segunda década do século XXI é um exercício de teimosia, estupidez ou pura cegueira ideológica que na realidade nada mais é do que sinónimo dos dois anteriores. Há dezenas (centenas?) de razões para argumentar isto mesmo. Por uma questão de economia, vou centrar-me apenas numa.

É que, se até ao fim do século passado ainda havia uma hipótese de algum misticismo que se pudesse envolver nas brumas saídas dos charutos de Fidel e companhia, hoje, com a Internet e as comunicações móveis, que dão origem às ações que os regimes autoritários adotam para as tentar conter, é absolutamente incrível alguém conseguir autointitular-se "humanista" e continuar a defender tais sistemas.

O acesso à Internet é, hoje, para as próprias Nações Unidas, considerado um Direito Humano.

Vou repetir, para os sempre muito formalistas camaradas que me possam estar a ler. Desde 2011 que, segundo um relatório das Nações Unidas -- aliás, crítico de países como a França e o Reino Unido, por o fazerem apenas em situações muito excecionais --, cortar o acesso à Internet a uma pessoa é considerado uma violação dos Direitos Humanos e um ato contrário a Direito Internacional.

Na sociedade de informação, evoluída, em que vivemos, a possibilidade de cada um de nós ter acesso permanente ao que se passa em cada instante é considerada, e bem, tão vital quanto ter água, esgotos, ou serviços básicos de saúde.

A informação é, neste século (na verdade, já o era nas últimas décadas do século passado, mas deixemos isso agora), a base do conhecimento, daquilo que significa ser um cidadão, enfim, uma pessoa.

Negar-lhe isso é, simplesmente, retirar-lhe cidadania, humanidade. É fazer do cidadão menos do que pessoa, é transformá-lo num mero elemento social, numa peça da engrenagem.

É o que fazem praticamente todos os regimes de inspiração comunista.

É o que faz o regime chinês. É o que faz o regime norte-coreano. É o que faz o regime cubano.

Nos protestos históricos a que nas últimas horas se assistiu em Cuba, apesar de os acessos à Internet móvel estarem agora melhores - apenas desde 2018 que tal acontece... - as redes foram de novo cortadas

Como sempre, a informação é filtrada.

As pessoas querem, simplesmente, comunicar. Querem, simplesmente, saber. Querem, simplesmente, ver o mundo que as rodeia.

Defender que não o podem fazer, em nome de seja lá o que for -- a sua segurança intelectual, a sua sanidade mental, a sua... ok, invente o que quiser aqui! --, é retirar-lhe uma parte de ser uma pessoa com capacidade intelectual completa.

Não existe, simplesmente, sob qualquer forma possível imaginária, maneira de defender um regime destes.

Ele tem de cair -- já devia ter caído há muito -- de podre. Porque ninguém merece viver abaixo da dignidade de ser menos do que humano em nome de uma ideia que é podre desde sempre.

Neste mesmo jornal, na semana passada, Pedro Tadeu -- a propósito do Chega -- escreveu e muito bem que a liberdade de só fazer aquilo que é permitido é ditadura.

O princípio aplica-se a todos os lados do espetro. E todas as ditaduras só podem ter um fim. O cemitério.

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