Comunidade judaica celebra Lag BaÔmer

No calendário judaico, hoje é o décimo oitavo dia do mês de Iyar, uma data festiva chamada Lag BaÔmer. O nome remete ao 33º dia da Contagem do Ômer, que tem a duração de 49 dias e une Pessach (a saída dos hebreus e outros escravos do Egito) a Shavuot (os eventos do Monte Sinai).

Lag BaÔmer faz-nos lembrar o grande sábio Rabbi Akiva, que viveu um dos períodos mais cabulosos da história: a perseguição dos judeus pelos romanos, que proibiram o estudo da Torá e a prática do judaísmo, numa tentativa, mais uma, de exterminar o povo judeu, desta feita não pela morte física, mas pela morte espiritual.

Akiva resistiu e estudou a Torá com seus alunos, garantindo a continuidade do judaísmo. Era época de peste. Uma doença violenta acometeu os seus discípulos, matando vários deles. As mortes cessaram no décimo oitavo dia de Iyar - Lag BaÔmer - resgatando a vida e o júbilo do povo judeu.

Rabbi Shimon Bar Yochai, discípulo de Rabbi Akiva e compilador do Zôhar, a base da Cabalá, morreu em Lag BaÔmer. Era então um sábio com uma quantidade imensa de discípulos. A todos eles havia dito que não desejava que a sua morte fosse lembrada com tristeza. A todos eles pediu que vivessem o dia do seu falecimento com alegria e festa, pois considerava ter alcançado o máximo nível de humildade e perfeição que alguém pode alcançar neste mundo. Festejamos, até hoje, Lag BaÔmer.

O calendário judaico poderia ser apenas uma sucessão de datas que marcam a passagem do tempo. Mas é muito mais. É um mecanismo de lembrança de uma História condenada a repetir-se em todos os locais. Um mecanismo de reflexão e redirecionamento para o crescimento espiritual.

O judaísmo não tem santos, mas lembra dos homens justos, os beneméritos, os que ajudaram e orientaram o povo disperso, os que fizeram o que havia de ser feito com coragem e sabedoria, contra Impérios ferozes e gentes possuídas de vaidade, soberba, má-língua e inveja.

A memória é um legado que atravessa gerações. E é por isso que as festividades judaicas também são celebradas pelas crianças - o amanhã do mundo. Em Lag BaÔmer, os pequenos passeiam pela natureza, acendem fogueiras e brincam com arcos e flechas, que lembram a guerra de libertação que os judeus, dirigidos por Bar Kochba, empreenderam contra as tropas romanas. As fogueiras acendem-se para recordar tais e para a elevação da alma de Rabbi Shimon Bar Yochai.

Os adultos, entre outras práticas, fazem uma doação de caridade - tzedaká - na quantia de 18 ou múltiplo, não apenas porque a celebração ocorre no décimo oitavo dia de Iyar, mas porque o valor numérico representa a palavra "chai", que significa "vivo". E o dia é vivido com alegria, tal como Rabbi Shimon Bar Yochai desejou.

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