Com a libertação, uma nova ambição

Controlar o contágio nunca foi fácil nem desprovido de sacrifícios. Mas, com o esforço de todos, foi possível achatar a curva e evitar os cenários mais dramáticos que se viveram em alguns países.

Hoje, mais tarde do que desejávamos, mas certamente mais cedo do que muitos imaginavam, estão reunidas as condições para avançar para um progressivo regresso à normalidade.

O sucesso que tem sido a campanha de vacinação no nosso país é o principal fator que o permite. Até agora, quase 60% da população está já completamente protegida, sendo que mais de dois em cada três cidadãos receberam, pelo menos, a primeira dose da vacina. Muitas vidas têm sido salvas graças a este ritmo de vacinação. Os números falam por si: em Portugal, 98% dos internados com covid-19 não têm a vacinação completa.

Além das melhorias na frente sanitária, há ainda outras perspetivas positivas para Portugal.

Primeiro porque, ao contrário da velha receita da austeridade, ainda hoje patrocinada por alguma direita, o compromisso social do atual governo permitiu limitar o impacto negativo desta crise nas famílias, nos trabalhadores e nas empresas. Esta estratégia levou a resultados completamente diferentes, para melhor, dos que vivemos há uma década: durante a pandemia, o pico da taxa de desemprego foi de 7,9%, muito abaixo dos 17,9% que PSD e CDS permitiram na crise anterior, na qual a quebra no PIB até tinha sido muito inferior. Não são só números: são milhares de empresas que se salvaram, milhões de pessoas que, apesar de tudo, não viram a sua vida afundar.

Depois, apesar da inevitável quebra na atividade económica no ano passado, 2021 regista já uma significativa recuperação, que só não é maior porque um dos setores mais importantes para Portugal - o turismo - é um dos que ainda enfrentam mais dificuldades em todo o mundo. Acresce que, de acordo com todas as previsões, Portugal terá um crescimento ainda superior em 2022, altura em que superaremos o nível pré-crise.

Para estes indicadores contribuirá tanto a retoma da normalidade, como também os investimentos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência, que tem um potencial transformador na economia portuguesa.

O alinhamento dos investimentos públicos e privados, promovidos pelo plano, em torno dos objetivos estratégicos de modernização da economia - superar os entraves estruturais à competitividade das empresas (como o défice de qualificações da população); concretizar a transformação digital da economia; implementar a transição energética -, poderá proporcionar ao país uma posição de destaque na nova economia que vemos despontar. É uma oportunidade histórica, para a qual todos estamos convocados.

Estamos em vias de superar a maior crise dos últimos cem anos. A mesma determinação que tivemos - e temos de continuar a ter - para evitar os contágios, apliquemo-la agora na superação dos enormes desafios que ainda temos pela frente: da prioridade às qualificações, à modernização da administração pública e consolidação do Serviço Nacional de Saúde; da revitalização e organização das empresas em dificuldades à criação de negócios, processos e tecnologias inovadoras.

Muito pode ser feito. E não depende só do governo, mas de todos nós. Que não nos falte ambição.

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Atletas olímpicos portugueses

Todos os atletas portugueses que têm participado nos Jogos Olímpicos têm prestigiado o país e aumentado a nossa autoestima. São um exemplo de superação perante os desafios. Merecem o nosso orgulho e admiração.

Eurodeputado

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