Brilhante, Portugal!

Brilhante é o que se poderá dizer, sem favor, do desempenho dos portugueses nas eleições presidenciais. A afluência às urnas bastante expressiva, se atendermos às previsões catastróficas, que, sobre a mesma, se faziam e a organização do acto eleitoral, impecável na segurança e funcionamento, demonstraram que a democracia está profundamente enraizada entre nós.

A popularidade de Marcelo e não o advento fascista do Chega, com a candidatura de André Ventura, como muitos disseram erradamente, foi a responsável pela mobilização do povo português, que superou o que era expectável.

Ao país virtual de certa comunicação social, com taxas de abstenção negras e filas intermináveis de ambulâncias no Hospital de Santa Maria - tenho lá ido com frequência e nada disso vi -, respondeu o país real, o nosso povo honrado, trabalhador e ordeiro, dando lição de grande civismo.

A larga votação em Marcelo foi o reconhecimento de um mandato exemplar, quer na colocação dos interesses de Portugal acima de quaisquer outros, quer na solidariedade institucional com demais órgãos de soberania, nomeadamente com o Governo.

Ao banir a guerrilha institucional do nosso espectro político, Marcelo granjeou ainda mais simpatia dos portugueses, que lhe expressaram a sua gratidão. O mesmo farão, por certo, ao primeiro-ministro, António Costa, quando o sufrágio for para as legislativas.

A organização destas eleições foi, em primeira instância, da responsabilidade do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o que só provou a justeza da opção de Costa em não o ter demitido. Mas Portugal, no seu todo, está de parabéns. A nossa vitória nas eleições dá-nos maior alento para combater a pandemia, que será também vencida. Com quase nove séculos de história, o nosso país esteve sempre à altura dos desafios que enfrentou. Não seria agora que iríamos falhar. A força anímica dos portugueses vai superar as adversidades com que nos debatemos.

É evidente que a abstenção é ainda elevada, mas a nossa democracia também é jovem. Com o decorrer dos anos, e cultivando sempre os valores democráticos, Portugal também baixará o nível abstencionista, invertendo o actual rumo. A dupla Marcelo-Costa parece-me excelente para conseguir tal desiderato. Nunca os vi 'pegados'. A harmonia institucional ganha votos, mas o mais importante é que faz bem ao país. Temos agora outro desafio imenso - aproximar-nos dos países mais ricos da Europa. A bazuca pode fazer-nos dar outro grande salto, tal como demos com o 25 de Abril e a integração europeia. Portugal é um afecto que não se define.

Escreve segundo a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico

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