A recuperação de que Portugal precisa

O governo lançou nesta semana os programas Impulso Jovens STEAM e Impulso Adultos, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. Ambos visam aumentar a capacidade dos recursos humanos do país, dotando-os de mais e diferentes competências, contribuindo para uma maior capacidade de resiliência e para a recuperação de que Portugal precisa.

Estes programas serão executados pelas instituições de ensino superior, com a parceria de empresas, empregadores públicos ou privados, incluindo autarquias e entidades públicas. Na prática, falamos de planos que irão colocar o ónus daquilo que queremos formar também nas empresas, garantindo que estas possam contar com profissionais mais orientados para as suas atividades e retirando às instituições de ensino superior a responsabilidade de definirem sozinhas a oferta formativa.

O Impulso Jovens STEAM pretende apoiar iniciativas que formem diplomados com graduação superior nas áreas das ciências, tecnologias, engenharias, artes e matemática. Aos parceiros já mencionados juntam-se as escolas secundárias, nomeadamente as de ensino profissional que, em conjunto, irão criar programas que possam trazer mais jovens a estudar no ensino superior, dentro das áreas definidas. Oferecendo-lhes formações mais interdisciplinares e transdisciplinares, reforça-se a afirmação do ensino superior na capacidade de se adaptar às necessidades das empresas e das instituições públicas. Os politécnicos assumem aqui uma missão de grande importância porque, ao estarem presentes em mais de cem concelhos do país, são uma porta privilegiada para a execução do programa, garantindo uma forte articulação com os projetos empresariais.

O Impulso Adultos visa a conversão e a atualização de adultos ativos, através do ensino superior, no formato de formação ao longo da vida. A aceleração do movimento digital, dos processos de economia verde e a constante evolução da ciência e da tecnologia são o palco privilegiado do programa. Pretende-se, assim, assegurar que os ativos humanos das empresas têm disponíveis estratégias que lhes garantem a adaptabilidade que os postos de trabalho exigem, ou abrir espaço para a aquisição de novas competências que permitirão novas oportunidades de trabalho e de carreira profissional.

As instituições de ensino superior recebem, desta forma, um impulso para cumprirem a sua missão, aumentando o público alcançado, diversificando a sua área de atuação e assumindo o seu papel na recuperação e na modernização do país. Isto, necessariamente, com uma interação com o território onde se inserem, com as suas empresas e empregadores, colaborando na modernização dos serviços e produtos por estes executados. Também o setor público, tantas vezes criticado, pode aqui desempenhar um papel fundamental ao aderir a estes programas, apostando na conversão e/ou atualização dos seus quadros, tornando-os mais eficientes e próximos de quem os utiliza.

Estou certo de que todos saberão desempenhar o papel que lhes cabe e que, em conjunto, farão ao longo dos próximos cinco anos o que ainda não foi feito e, mais do que isso, o que precisa de ser feito. Da parte das instituições de ensino superior, onde nos inserimos, temos sentido o entusiasmo necessário para o sucesso de que Portugal precisa.

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra

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