A educação está a ser atacada

Vivemos num mundo em que as profecias se autoconcretizam. Num mundo em que o ponto de partida são as definições falsas que suscitam novos comportamentos que, por sua vez, fazem que a conceção inicial se transforme em verdadeira.

Complexo? Não. Nem por isso. Na verdade é bem fácil de explicar. Basta olhar à nossa volta.

Quando foi a última vez que usámos a nossa memória? E quando foi a última vez que usámos uma ajuda digital? E pensar? Pensar sem ajudas?

Pensamos em 2D. Flat. Sem profundidade. Sem volume. Sem dimensão crítica. Pensamos pouco. Criticamos menos ainda.

Vejam-se as gerações que estamos a criar. O QI da população mundial diminuiu bastante nos últimos 20 anos. Quase que parece a inversão do efeito Flynn, pois a inteligência está a diminuir nas geografias mais desenvolvidas. Estranho, não? Não. Também fácil de entender.

É o fruto do empobrecimento da linguagem, por exemplo, da redução do vocabulário, da parca utilização dos tempos verbais. Tudo isto nos atira para um pensamento limitado ao momento e esta limitação impede-nos de fazer projeções no tempo. E são estes rasgos temporais que nos transportam para o futuro. Para novos cenários. Novos mundos. Seja na arte, na cultura, na economia. Seja no que for.

Como conseguimos absorver a intemporalidade se as linguagens não conseguem projetar o que poderia ser, o que poderia ter sido, o que é e o que foi, o que será ou o que realmente aconteceu?

Ler. Escrever. Pensar. Desenhar. Projetar. Antever.

Volto a perguntar? O que estamos a fazer à nossa memória? Quando foi a última vez que pensámos sem ajudas? Estamos a ficar patetas! Falamos de coisas comuns, discutimos coisas banais. E giramos em volta delas.

Desconhecemos os grandes nomes da cultura portuguesa. Em banalidades desportivas somos os melhores. Em programas de televisão cretinos somos melhores ainda! Mas talvez seja propositado.

É caso para dizer que a educação está a ser atacada. A nossa. Pior! A dos nossos filhos!

Como defendê-la de factos alternativos, dos reality shows, do Twitter, do YouTube?

Como moldar e consciencializar para uma política global? Como alimentar o léxico gramatical e digital desta geração?

Estaremos distraídos? Ou desligados? Ou será que gostamos de idiotas porque não nos põem em causa?


Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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