Opinião

Daniel Deusdado

Os podcasts como fórmula de conhecimento: de Kamala à Antena 2

Depois dos livros, chegou a hora dos podcasts serem os nossos melhores amigos? Na semana passada trouxe aqui o programa diário "A Ronda da Noite" sobre livros e cultura na Antena 2, mas neste agosto descobri as "Grandes Batalhas da Antiguidade", também da Antena 2 (RTP-play ou Spotify). São 13 pérolas radiofónicas escritas pelo historiador Paulo Nazaré Santos e que vão desde a Batalha de Kadesh (1274 A.C.) até à Batalha dos Catalaúnicos (451 D.C.). A escrita de Paulo Nazaré Santos é absolutamente deslumbrante na criação das atmosferas e cenários de guerra enquanto a narração do João Almeida e a sonoplastia de Tomás Anahory são primorosas. Uma obra-prima da nossa cultura.

Daniel Deusdado
Mohammad Javad Zarif

Uso do Conselho de Segurança para destruir o Conselho de Segurança

Aquilo a que nós, no Irão - o alvo de um regime de sanções vicioso e indiscriminado - temos assistido por parte da actual administração americana, é bastante simples: não existe uma grande visão para uma comunidade global alternativa. A inconstância e imprevisibilidade dos EUA nada têm que ver com a implementação magistral da teoria dos jogos. Pelo contrário, quer se trate da sua (má) gestão na abordagem à COVID19 a nível interno ou da sua insistência em minar a paz e estabilidade a nível internacional, o actual regime de Washington não tem qualquer plano real, excepto atacar frontalmente aqueles que se mantêm fiéis ao Estado de direito.

Rute Agulhas

Sobreviver ao stress das férias em família

Passamos o ano inteiro em contagem decrescente para as férias e, quando elas chegam... é um stress! Pois é, mesmo as situações muito desejadas, como ter um tempo de descanso, originam frequentemente a sensação de que a balança do stress e desequilibrou - sentimos que não temos recursos suficientes para lidar com a exigência das situações. Nas férias tendemos a idealizar cenários paradisíacos, pessoas felizes e em harmonia, com o chilrear dos passarinhos como pano de fundo. Acreditamos ainda que vamos conseguir fazer as 30 mil coisas que andámos a adiar e que teremos todo o tempo do mundo. Mas a realidade não é bem assim... começa pela escolha do destino de férias, nem sempre consensual, passando depois pelos preparativos para a viagem, quando tentamos acomodar as malas que transbordam e nos fazem questionar se não estaremos, afinal, a mudar de casa. Os miúdos gritam e batem nos irmãos, fazem birras a toda a hora e desafiam a paciência dos mais santos. Os adolescentes vivem com a cabeça enfiada no telemóvel, a dizerem mal de tudo e de todos e com cara de quem faz frete (e faz mesmo). Os pais, sogros, primos e primas que não se viam há algum tempo, as conversas incómodas e as perguntas às quais ninguém quer responder. Os casais tensos, o telemóvel do trabalho que não para de apitar e aquela sensação de que os dias, afinal, têm bem mais do que 24 horas... Neste contexto, sentimo-nos irritados e sem paciência, refilamos com as pessoas à nossa volta e tendemos a descarregar nos cigarros, nos cafés ou no álcool que se revelam, afinal, óptimas formas de anestesiar o stress. Mas serão estas as melhores soluções? Como sobreviver ao stress das férias em família?

Rute Agulhas
Raúl M. Braga Pires

Líbano: o que ainda há por dizer?

Já tudo foi dito sobre o assunto, sobre a história da criação francesa de um país-reduto para os cristãos no Médio Oriente, sobre esse falhanço presente nas quotas religiosas que impõem equilíbrios permanentemente no "fio da navalha", sobre o peso do Hezbollah, dos iranianos, dos israelitas e da corrupção endémica nos destinos do país, do choque que se tornou ira quando a poeira assentou e que resultou em manifestações que acabaram na demissão do governo. Falou-se muito também da necessidade de mudança, mas não se falou de futuro. Não se alvitrou ainda sobre como os libaneses chegarão ao futuro. Falou-se na inevitabilidade de futuras eleições, mas não se falou do futuro próximo. Esse mesmo que permitirá aos libaneses virarem a página e terem um sono tranquilo.

Raúl M. Braga Pires
Ana Paula Laborinho

Cultura é (também) economia

No início da minha carreira (que vai longa), Mário Viegas deu-me uma lição que nunca esqueci. Grande ator e encenador, desaparecido prematuramente em 1996 com apenas 47 anos, era também um recitador único que acrescentava sentido aos textos (é inesquecível a sua interpretação da "Tabacaria" de Fernando Pessoa ou do "Manifesto Anti-Dantas" de Almada Negreiros). Como jovem professora de Português numa escola secundária de Lisboa, nos idos de 80, organizei uma sessão de poesia para os alunos e convidei Mário Viegas, que, no seu tom verrinoso, me perguntou quanto pagávamos. Perante a minha quase explícita indignação, retorquiu: "Costuma ir ao dentista sem pagar?"

Ana Paula Laborinho
Leonídio Paulo Ferreira

Kamala, muito mais do que Obama em feminino

Ouvi pela primeira vez o nome de Kamala Harris, agora candidata do Partido Democrático a vice-presidente, quando estive em outubro de 2016 na Califórnia numa reportagem para o DN com a comunidade portuguesa em San Diego. Era como hoje tempo de campanha eleitoral para a Casa Branca, e Hillary Clinton ainda surgia como favorita perante Donald Trump, mas também se renovava o Congresso e Harris destacava-se como candidata ao Senado.

Leonídio Paulo Ferreira
Margarita Correia

O português, o IILP e o sistema global das línguas

Em 2001, na obra Words of World, Abram de Swaan propõe que o "sistema global das línguas" é parte integrante do "sistema mundial", e que este, além da linguística, comporta uma dimensão política, uma económica e uma cultural. Propõe ainda que o sistema global das línguas se organiza em constelação, cujo centro é atualmente o inglês, língua hipercentral. Em torno do inglês gravitam 12 línguas supercentrais (alemão, árabe, chinês, espanhol, francês, hindi, japonês, malaio, português, russo e suaíli), de âmbito internacional, e todas, à exceção do suaíli, com mais de cem milhões de falantes cada. Em torno das línguas supercentrais, gravitam cerca de cem línguas centrais, em conjunto faladas por cerca de 95% da população mundial, que têm em comum o serem frequentemente "línguas nacionais" ("national languages", segundo o autor), oficiais dos países ou regiões onde são faladas, de registo escrito, usadas na comunicação, na política, na administração, na justiça e no ensino. Finalmente, as línguas periféricas ou minoritárias, provavelmente mais de seis mil, constituem cerca de 98% das línguas existentes, mas são, em conjunto, faladas por cerca de 10% da população mundial, línguas de memória, com escassa tradição escrita. Para de Swaan, este sistema assenta no multilinguismo, i.e., grande parte da população mundial fala mais do que uma língua, pelo menos duas de "órbitas" diferentes. Os falantes de uma língua periférica usam em geral uma língua central, quando necessitam de comunicar com falantes de outra língua periférica; os falantes de línguas centrais diferentes recorrem a uma língua supercentral como veicular; e, por fim, o inglês é veicular para os falantes de línguas supercentrais diferentes. A veicularidade constitui-se, portanto, como importante mais-valia para as línguas.

Margarita Correia
Mukhtar Tileuberdi

A determinação antinuclear do Cazaquistão

Cada ano, em 29 de agosto, a comunidade global marca o Dia Internacional contra os Testes Nucleares. Foi constituído em dezembro de 2009, quando na 64.ª sessão da Assembleia Geral da ONU foi adotada a resolução histórica. O documento foi adotado a pedido do Cazaquistão e de vários copatrocinadores para comemorar, sob os auspícios da ONU, a assinatura do decreto pelo primeiro presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, para fechar o local de testes nucleares de Semipalatinsk, em 29 de agosto de 1991.

Mukhtar Tileuberdi
Carlos Santiso

As Mulheres de e-Portugal

Portugal não é o primeiro país que vem à mente quando falamos de centros de tecnologia na Europa, mas nos últimos anos o país deu passos firmes em direção ao mundo "digital", posicionando-se como um destino atraente para startups de tecnologia orientadas por dados que procuram incentivos fiscais e um pouco de sol. Desde 2016, Lisboa recebe o Web Summit, uma das maiores conferências de tecnologia do mundo, e o Norte de Portugal está entre as regiões mais inovadoras da Europa, com o vale tecnológico do Porto em franca ascensão.

Carlos Santiso
Augusto Joaquim de Carvalho Lança

Marrocos: Economia e Direitos Humanos

Os campos de refugiados de Tindouf, na Argélia, estão muito perto de Portugal. Tal como o nosso vizinho do sul, o Reino de Marrocos. Laços históricos e de amizade muito profundos ligam os povos de Portugal e de Marrocos, tal como muito bem afirma e escreveu recentemente no Diário de Notícias o politólogo e arabista Raul Braga Pires ("De Mazagão ao Algarve vão 76 marroquinos"). Defende também uma maior aproximação de Portugal a Marrocos, e uma maior presença das empresas portuguesas em território marroquino.

Augusto Joaquim de Carvalho Lança
Rosália Amorim

Desconfinar com festivais e touros, mas sem bola?

Itália, Espanha e outros países europeus começam a ficar, de novo, muito preocupados com o nível de contágio por covid-19. À medida que as populações desconfinam, empurradas pelo calor do verão e pela necessidade psicológica de voltar a ter uma vida (quase) normal, o coronavírus ressurge com novas forças. Há já quem apelide situação de segunda vaga da pandemia. Em Portugal, a situação regista uma melhoria contínua, mas o perigo não desapareceu. À medida que o verão aquece, os ajuntamentos de jovens aumentam e agosto é um mês decisivo para perceber como evoluiu a crise sanitária, ao mesmo tempo que muitos portugueses querem ir para a rua, para as praças, esplanadas ou praias. Agosto é também o mês dos emigrantes e basta circular nas estradas nacionais e ir à praia, de mar ou de rio, para perceber que muitos já chegaram para matar saudades dos seus familiares e, como é habitual, trouxeram a família para passear na terra natal. O importante é que as férias não se transformem num pesadelo para muitos e para o SNS. A luta não acabou e continuar a dar o exemplo é meio caminho andado para conter a pandemia em Portugal. A economia precisa de ser desligada do ventilador para respirar, sozinha e saudável, mas não pode ser à força. Desligar muito antes do tempo certo tem fortes riscos para o doente. O verão é também sinónimo de festivais, um negócio que cresceu em Portugal nos últimos anos e que passou, inclusive, a atrair público internacional por mérito dos cartazes e das organizações exemplares. Nos últimos anos, os festivais de verão viraram uma espécie de catarse, para miúdos e graúdos, depois de um ano inteiro de trabalho. Mas há festivais e festivais. A Festa do Avante! é muito mais do que um festival de música, é um manifesto político do Partido Comunista Português. 
É um evento cuja edição de 2020 continua a ter a capacidade de levantar forte contestação. Porquê? Porque habitualmente junta cem mil pessoas e esse não parece ser um número prudente para um ajuntamento, seja ele de que cor partidária for. Neste ano, a organização ainda não revelou quantos bilhetes vão ser vendidos. Certo é que de dia 4 a 6 de setembro a festa vai acontecer e atrair muita gente, ou não fossem os Xutos & Pontapés cabeças-de-cartaz. Por muito que a organização garanta que os concertos vão ter lugares sentados e marcados, é muito difícil imaginar os portugueses a assistir a um concerto dos Xutos agarrados a uma cadeira, sem sair do sítio, sem saltar, sem cantar e com a máscara, sem emoções, abraços, gritos e mantendo o distanciamento. Os Xutos serão um desafio para o PCP e para o público. A cultura precisa de ser reanimada, mas sem exceções às regras. É por isso difícil de entender porque continuam os estádios de futebol vazios. Se os portugueses aguentam uma tourada ou um concerto dos Xutos & Pontapés sem sair da cadeira e sem infringir as regras, não aguentarão assistir a um jogo?

Rosália Amorim
Viriato Soromenho-Marques

Babuínos como nós

O grande filósofo grego Epitecto, escravizado e agredido pelo seu proprietário romano, secretário de Nero, lembra-nos como na humanidade o desprezo e o domínio dos outros não precisou do racismo para existir. Ao longo da história, diferentes e muitas vezes convergentes são as formas de xenofobia, de opressão e exclusão do Outro. Apenas a superioridade na componente militar de cada cultura é o fator decisivo que separa vencedores e vencidos. No dealbar do século XVI, os astecas tinham água canalizada na sua capital, mas Cortés tinha armas de fogo. A lança mais comprida é também inseparável da moderna hegemonia planetária do Ocidente.

Viriato Soromenho-Marques
Adriano Moreira

O exercício internacional do racismo

A independência dos EUA foi decisão de homens que, como diria claramente Thomas Jefferson, assumam o direito à revolta sem assumirem serem eles próprios a longa mão europeia lançada sobre os vencidos, e extintos, aborígenes. De facto, a limpeza do território foi um exercício da diferença de raças, depois assente na importação de negros escravos, cujo estatuto mudaria pela guerra entre norte e sul, sublinhado pelo assassínio do vencedor Lincoln. Referindo-se por então à Europa na terceira pessoa, era como que pressionado pelo separatismo o Ocidente, até que as duas guerras mundiais exigiram as alianças. Daqui em diante, até ao anticolonialismo do século XX, o modelo colonial foi intitulado por Rudyard Kipling como sendo o "fardo do homem branco".

Adriano Moreira
Victor Ângelo

Questionar a obsessão securitária

A Comissão Europeia ganhou o hábito de produzir estratégias. É uma boa prática, por permitir fazer avançar a reflexão sobre temas prioritários e chamar a atenção dos diferentes governos sobre a necessidade de coordenação e de ações conjuntas, quando apropriado. Pena é que esses documentos fiquem apenas por Bruxelas e em certos círculos especializados, e não sejam debatidos nos Parlamentos nacionais e pela opinião pública, nos diferentes Estados membros.

Victor Ângelo
João Melo

Tik-Tok, Tik-Tok, chegou a nova guerra fria

O presidente Donald Trump quer banir a grande rede social chinesa TikTok do território americano (e do resto do mundo?), com receio de que ela esteja a espiar os dados pessoais dos seus utilizadores. Essa decisão junta-se à guerra comercial desencadeada por Washington contra Pequim mal o atual presidente chegou à Casa Branca, bem como aos esforços da atual administração norte-americana para banir a Huawei da telefonia móvel G-5. Não nos esqueçamos, também, da insistência de Trump em responsabilizar a China pela pandemia da covid-19.

João Melo
Rogério Casanova

Pânico, pandemia, blá-blá-blá

PremiumTal como o veado de Père David ou o mutum-do-nordeste, o intelectual público costuma ser tratado como uma espécie extinta no seu habitat natural, e que apenas é possível observar em cativeiro: nas listas anuais de "pensadores mais influentes", ou na subcategoria de artigo jornalístico que questiona se "esta-coisa-que-sempre-foi-assim-estará-a-deixar-de-ser-assim?". "O que aconteceu ao intelectual público?" ou "O fim dos intelectuais?", perguntam esses artigos, em média uma vez por ano. Vários depoimentos são recolhidos, de figuras apresentadas como "intelectuais", mas que recusam, com maior ou menor confiança, a designação. Os tempos estão a mudar, explica um. As coisas não são assim tão simples, explica outro. Uma coisa é certa: talvez - conclui o artigo. Entretanto, a ocasião passa e o intelectual público regressa à sua reserva natural e ao cargo que lhe foi atribuído por inerência: um cargo que, no caso português, implica ficar perto de um telefone, a aguardar tranquilamente um convite da Gulbenkian ou de Fátima Campos Ferreira para "pensar Portugal", ou um telefonema de um jornalista a perguntar "o que aconteceu à ideia de Europa?" ou se "a internet é boa ou má?".

Rogério Casanova
Leonídio Paulo Ferreira

Honestidade, decência e moral no país de Amin Maalouf

Escreveu um dia Amin Maalouf sobre os poderosos do Líbano: "Gostaria de que se preocupassem mais com a honestidade e a decência. Só porque têm uma religião, acreditam estar dispensados de ter uma moral." E cito-o nesta altura em que as múltiplas ondas de choque da explosão gigante em Beirute na terça-feira parecem estar a querer destruir o pequeno Líbano, porque se há um libanês famoso e que merece ser ouvido é mesmo Amin Maalouf, antigo repórter de guerra que trocou Beirute por Paris e se transformou em romancista e ensaísta de enorme sucesso.

Leonídio Paulo Ferreira
Marisa Fernandes

A Defesa do Multilateralismo na Presidência Alemã do Conselho de Segurança da ONU

Julho foi um mês de dupla presidência para a Alemanha. Assumiu a presidência do Conselho da União Europeia (UE), que durará até ao final do presente ano, ao mesmo tempo que assumiu a presidência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), com a duração de apenas um mês. E isto traduziu-se, desde logo, numa maior responsabilidade da parte da Alemanha na defesa do multilateralismo e na influência (e mediação) da agenda internacional.

Marisa Fernandes
Shigeru Ushio

O Japão e o horror nuclear em guerra

Há 75 anos foram largadas bombas atómicas sobre a cidade de Hiroxima e sobre a cidade de Nagasáqui, privando, segundo se diz, mais de 200 mil pessoas das suas vidas preciosas. Reduziu as cidades a cinzas e - sem a mínima misericórdia - privou as pessoas dos seus sonhos e do seu futuro brilhante. Aqueles que escaparam à morte sofreram horrores indescritíveis e mesmo hoje há pessoas que sofrem com os efeitos a longo prazo das bombas atómicas.

Shigeru Ushio
Leonídio Paulo Ferreira

O Líbano sempre sob a ameaça da guerra de todos contra todos 

A explosão em forma de cogumelo transmitida pelas televisões do mundo inteiro certamente contribuiu para o clima de histeria em torno do sucedido nesta terça-feira em Beirute ainda antes de se saber ao certo o número de vítimas (grande!), mas só quem não conhecer a história do pequeno Líbano pode duvidar de como algo que até pode ter sido acidental é naquele país explosivo (e aqui não estou a fazer nenhum jogo de palavras).

Leonídio Paulo Ferreira
Javed Jalil Khattak

Caxemira – Sem conseguir respirar

O dia 5 de agosto de 2020 marca o fim de um ano - desde que o governo indiano de Modi revogou ilegalmente o estatuto autónomo de Caxemira e Jammu, região ocupada pela Índia (o único estado de maioria muçulmana reconhecido internacionalmente como território disputado pelas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas). Foi uma tentativa de anexação de um território disputado, em flagrante violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do direito internacional.

Javed Jalil Khattak
Margarita Correia

Das crenças

Nos últimos meses, dei comigo a refletir mais demoradamente sobre as crenças. Não, não foi impulso místico o que me levou a pensar no assunto, mas antes a perplexidade com que assisto à aparente convicção com que alguns governantes propalam ideias que contrariam a evidência e a ciência - e.g. o SARS-Cov 2 está controlado e em breve a pandemia estará resolvida; o uso de hidroxicloroquina ou o consumo de vodca previnem a COVID-19. Digo "aparente convicção" porque me custa acreditar que governantes de países creiam efetivamente no que dizem: provavelmente estou condicionada pela crença - justificada? - de que um governante é um indivíduo minimamente racional e inteligente.

Margarita Correia