Opinião

João Almeida Moreira

Prioridade: ricos e poderosos

Batizado provavelmente em homenagem a Randolph Scott, ator de westerns dos anos 50, o secretário de Saúde Randolph Scoot, de Serra do Navio, município de 5000 habitantes do Amapá, desdenhava, como tantos brasileiros alimentados pelas "notícias" de WhatsApp editadas pelos filhos de Bolsonaro, da vacina Coronavac, por ser fabricada na China comunista e por ter sido desenvolvida em São Paulo, o palco de João Doria, governador do estado e principal rival do presidente.

João Almeida Moreira
Rute Agulhas

Como contrariar a fadiga pandémica que sentimos?

Estamos há quase um ano a viver uma realidade que, numa fase inicial, e por ser uma situação nova e desconhecida, potenciou elevada ansiedade, medo e incerteza. Era uma situação estranha que nos obrigou a todos a alterar de forma drástica os nossos hábitos e comportamentos, na esfera pública e privada. Aprendemos a controlar o impulso de correr para abraçar alguém, a manter distância física e a diversificar as formas de comunicação. Aprendemos ainda a trabalhar de pantufas e a substituir o contacto visual pelos quadradinhos no ecrã do computador.

Rute Agulhas
Eduardo Cabrita

Defender a Europa da liberdade, da segurança e da justiça em tempo de pandemia

A presidência portuguesa do Conselho Europeu no primeiro semestre de 2021 decorre em circunstâncias imprevistas e absolutamente excecionais. A dimensão da incidência da pandemia global de covid-19 (cem milhões de infetados a nível mundial e cerca de 30 milhões na Europa) constitui, desde março passado, um desafio sem precedentes à capacidade de resposta coordenada das instituições europeias e dos Estados membros e à salvaguarda dos valores essenciais da democracia e dos direitos humanos num quadro generalizado de restrições à liberdade de circulação, entre outros direitos fundamentais, de reposição de controlos internos e de imposição de fortíssimas restrições nas fronteiras externas.

Eduardo Cabrita
Joana Petiz

Chega de navegar à vista

Não, ninguém inveja a posição de quem tem de tomar decisões neste momento. Quem está nessa posição, porém, e não a rejeitou, continua a ser responsável pelo que faz - e pelo que opta por não fazer. E não pode justificar-se com a dificuldade da posição em que aceitou estar e permanecer. O tempo de avaliar quem está aos comandos não é este. Mas é o de decidir e assumir responsabilidades. De dar a cara e as explicações - obrigação de quem se senta nessas cadeiras - em momentos de rutura como terça-feira à noite, quando, ignorados os avisos de quem está no terreno, o sistema de oxigénio de que depende mais de uma centena de doentes colapsou.

Joana Petiz
Pedro Almeida

Mesmo com escolas fechadas, todos os alunos merecem atingir o seu potencial

O fecho das escolas tem implicações educativas tremendas especialmente nos alunos mais vulneráveis. Além de apresentarem maiores dificuldades antes deste encerramento, são os que mais regridem nas aprendizagens uma vez que têm menos apoio e condições em casa. Para estes alunos, a presença física dos colegas, dos professores e de todos os que dedicam as suas vidas profissionais ao seu sucesso é fundamental para que possam ter oportunidades reais de mobilidade social.

Pedro Almeida
Rui Cardona Ferreira

A interpelação à direita democrática

Embora formalmente ausente das eleições do passado dia 24, António Costa é um discreto mas evidente vencedor dessa noite eleitoral, por várias razões. Em primeiro lugar, não podendo vencê-lo, António Costa soube juntar-se a Marcelo Rebelo de Sousa no conhecido episódio da visita à Autoeuropa e a falta de apoio do PS a qualquer candidato sempre seria interpretada pelo eleitorado como um apoio ao candidato incumbente. Em segundo lugar, de uma assentada, António Costa viu fortemente diminuídas as bases de apoio dos partidos à sua esquerda e fracassada a tentativa de afirmação de uma certa ala esquerda dentro do próprio PS. Em terceiro e último lugar, o resultado das eleições eleitorais também deixa a direita democrática perante o problema do exponencial crescimento do Chega e o inerente risco de fragmentação desse espaço político.

Rui Cardona Ferreira
Maria da Graça Carvalho

Para liderar é preciso saber ouvir

No final do Conselho de Ministros de 21 de janeiro, o primeiro-ministro fez uma afirmação preocupante, que passou despercebida no meio do turbilhão noticioso em torno das eleições presidenciais. Disse António Costa, questionado por um jornalista sobre o eventual arrependimento de não ter fechado as escolas mais cedo, que: "Nós adotamos as medidas em função dos dados que existem, não dos dados que existiram nem dos dados que imaginamos que venham a existir."

Maria da Graça Carvalho
Jorge Costa Oliveira

Hidrogénio verde, lítio e IPCEI

O projeto de produção em Portugal de hidrogénio verde em grande escala começa com uma empresa portuguesa de um cidadão holandês, Marc Rechter. Planeou o projeto, articulou com várias entidades, terá sensibilizado vários clientes potenciais na Holanda, na Alemanha e em países adjacentes. Apresentou o projeto de seguida ao governo português e, perante a reação positiva deste, promoveu a ligação a entidades da Holanda - do respetivo governo a off-takers do hidrogénio.

Jorge Costa Oliveira
Rosália Amorim

Desígnios de um país "doente"

As altas figuras do Estado vão ser vacinadas a partir da próxima semana. Defender o contrário para ser popular, irreverente ou jogar no campo das demagogias ou ideologias não é sério. Quem lidera, dirige, administra um país em pandemia tem de estar sempre na linha da frente. Não se trata da mesma linha da frente em que estão médicos, enfermeiros e auxiliares - que, obviamente, devem todos ter via verde para a vacinação, no público e no privado, bem como bombeiros e forças de segurança envolvidas no combate à covid-19. Mas, cada um, na sua missão, precisa de continuar a lutar. Sem parar. O Diário de Notícias revelou ontem, em primeira mão, o despacho assinado pelo primeiro-ministro, bem como as cartas enviadas aos órgãos de soberania no sentido de começarem a ser definidas as prioridades de vacinação, consoante as disponibilidades.

Rosália Amorim
Paulo Cardoso de Almeida

Manaus sem oxigénio é espelho do negacionismo bolsonarista

O coronavírus ataca de maneira agressiva os pulmões a causar uma grave inflamação que gera dificuldade na absorção do oxigénio, vital para a sobrevivência dos demais órgãos. Conforme a capacidade de captação de oxigénio diminui, o paciente faz mais força para encher os pulmões. Chega um momento em que esse esforço não resulta, o organismo acusa a baixa concentração de oxigénio e é quando se passa a usar outros músculos do abdómen na tarefa de encher mais ainda os pulmões, qualquer médico ou profissional de emergência reconhece o desconforto respiratório ao notar esse movimento torácico. Esse processo é exaustivo, requer muito esforço físico e o paciente, debilitado, perde a capacidade de respirar e forçar a entrada de ar em seus pulmões.

Guilherme de Oliveira Martins

Lembrar um conto popular…

Importa sensibilizar os portugueses para a tomada de consciência da necessidade de uma proteção solidária. Como disse o Presidente da República, muito bem, a primeira prioridade é o combate da pandemia. Importa cerrar fileiras para enfrentar o perigo real com que o mundo se defronta. Não está em causa a liberdade e o direito, mas o respeito mútuo de uma cidadania livre e responsável. Daí a necessidade de uma maior coordenação nacional, europeia e internacional e de medidas excecionais que correspondam ao que o direito designa como estado de necessidade, em nome da preservação da vida de muitas pessoas.

Guilherme d’Oliveira Martins
Afonso Camões

Marcelo e a espada de Eanes

Ainda bem. E que o Senhor o acrescente!, diria a minha sogra da reeleição de Marcelo. Eu acrescento que, por mais que festejemos um e justifiquemos os outros, o problema é o outro - ou pior, são outros. Um é aquele que multiplicou por sete o número de votos arrebanhados à esquerda e à direita, resultado da incapacidade do sistema para responder às chagas dos nossos dias: desemprego, medo, miséria, fome, doença - o calvário de gente, muita gente, gente nossa, com rosto, o da desigualdade persistente, que gera populismos, violência e ódio. Em jogo, diante de nós, encontram-se duas lógicas: a dos partidos tradicionais e a da sociedade. As eleições de domingo demonstraram que elas deixaram de coincidir.

Afonso Camões
A. Reis Monteiro

Aulas online: público e privado

A não autorização de aulas online nas escolas privadas, durante as duas semanas em que as escolas públicas vão estar encerradas também sem elas, suscitou alegações de inconstitucionalidade por violação da "liberdade de aprender e de ensinar", em particular, e do "princípio de proporcionalidade" em geral. Menos aflorado e valorado tem sido o que, salvo opinião mais bem argumentada, está principalmente em causa: o "princípio da igualdade". Vejamos.

A. Reis Monteiro