Opinião

João Paulo Almeida e Sousa

Medicina Intensiva ganhou o desafio

A crise pandémica veio colocar sob pressão a capacidade de resposta da Medicina Intensiva, sentida sobremaneira onde as insuficiências eram maiores, como nos hospitais da região centro. A realidade vivida nos diversos serviços de Medicina Intensiva dos hospitais desta Região, face a esta inopinada tempestade pandémica pelo SARS Cov 2, constitui mais uma prova positiva da grande capacidade de adaptação do SNS, concretizada pelo aumento dinâmico das respostas.

João Paulo Almeida e Sousa
António Araújo

Que viva o porno!

Na manhã de 18 de Setembro de 1923, uma mulher que andava a fazer uma caminhada pelas montanhas de Santa Mónica descobriu no chão um sapato feminino, um casaco e uma carteira. No interior da carteira, uma nota bizarra, assinada com as iniciais P.E.: "Tenho medo, sou uma cobarde, tenho medo de tudo. Se tivesse feito isto há mais tempo, teria poupado muito sofrimento." A caminhante olhou para o fundo da ravina e viu o cadáver de uma jovem mulher. Receando meter-se em sarilhos, deixou os objectos nas escadas da esquadra da polícia de Hollywood e depois ligou para lá, a contar o que tinha visto.

António Araújo
Bernardo Pires de Lima

A geopolítica da vacina

O processo de vacinação em curso é o passaporte para o início da recuperação das economias, progressivamente aliviadas de confinamentos e socialmente normalizadas. Dizem os especialistas que ultrapassada a emergência pandémica e o período de vigilância sanitária, cuja mistura ainda nos angustia, passaremos a conviver com o vírus de forma endémica, habituada e sazonal. A duração disto é uma incógnita, o que não desmerece os entretantos. E, nestes, há muito em jogo: a vacina transformou-se num instrumento de poder, influência, prestígio e posicionamento estratégico. Se quiserem, deu origem a autênticas superpotências da saúde pública, dando à diplomacia da vacina um cunho que pode ir da salvação gloriosa de terceiros à chantagem por vantagens políticas. Será assim a natureza humana: é na desgraça que se revela.

Bernardo Pires de Lima
Adriano Moreira

Cátedra UNESCO

No passado 5 de fevereiro deste 2021, procedeu-se, em formato digital, ao lançamento da cátedra UNESCO - Educação e Ciência para o Desenvolvimento e Bem-Estar Humano - EDUWELL, com a presidência da professora doutora Ana Costa Freitas, reitora da Universidade de Évora, e do professor doutor Carlos Salema, presidente atual da Academia. Na data em que o globo é objeto de uma desordem da relação entre os objetivos definidos depois da guerra, e capacidades desordenadas sobretudo pela pandemia, parece de receber com louvor e esperança uma iniciativa que encontra raiz em já antiga resolução da ONU.

Adriano Moreira
Leonídio Paulo Ferreira

Cenoura e cacete na versão Biden

Theodore Roosevelt destacou-se pela fórmula da cenoura e do cacete que usou para impor a influência dos Estados Unidos nas Caraíbas na primeira década do século XX. Joe Biden, o mais velho presidente americano, parece estar a seguir a fórmula do mais jovem de todos os antecessores, pelo menos em relação às ambições nucleares do Irão. E o ataque de sexta-feira contra milícias às ordens de Teerão no leste da Síria bem pode ser entendido como uma cacetada dada depois de os ayatollahs terem rejeitado as primeiras cenouras oferecidas pelo novo presidente. Estas vão da reabertura de negociações multinacionais até uma revisão das sanções repostas durante a presidência de Donald Trump, passando pela facilitação das viagens de diplomatas iranianos às Nações Unidas.

Leonídio Paulo Ferreira
Paulo Miguel Rodrigues

Jorge Borges de Macedo: entre a Europa e o Atlântico

A sapiência e a dimensão intelectual fazem de Jorge Borges de Macedo (JBM), para além de uma personalidade apelativa, mas complexa, um dos principais historiadores portugueses, não apenas do seu tempo, mas de todos os tempos. Evocando-o, no centenário do seu nascimento (1921-2021), e (re)lendo-o, continuamos a aprender e a compreender o mundo, de forma segura, através dos seus textos, neste caso nos campos da História da Diplomacia portuguesa (HDP) e/ou das Relações Internacionais (RI).

Paulo Miguel Rodrigues
Raúl M. Braga Pires

Qatar 2022 e o reverso da medalha

O próximo Mundial de Futebol está praticamente à porta. Digo-o desta forma porque o tempo, para mim, tem passado mais rapidamente em tempos de confinamento. Nunca fui tão produtivo como agora, talvez por ter de inventar entretenimento e, quando dou por mim, estou sempre a entreter-me com algo ligado ao que me dá mais prazer, o trabalho e, já é sexta-feira outra vez. O desejo e a ânsia em ultrapassar esta fase também ajudará certamente e a verdade é que o pessegueiro à porta de casa é a árvore mais florida da rua, indicando que o Inverno já foi e que os bichinhos vão começar a comer borboletas para as terem no estômago, só porque sim.

Raul M. Braga Pires
Sebastião Bugalho

O fim de um vociferar. Rush Limbaugh (1951-2021)

Ontem, nem todas as bandeiras foram içadas a meia haste na Florida, no sétimo dia da morte de Rush Limbaugh. Divisivo em vida, divisivo depois desta, a intenção de homenagear o radialista conservador não colheu consenso no estado governado por Ron DeSantis, republicano. Em Palm Beach, onde Limbaugh residiu durante décadas, a autarca local defendeu que "apesar de ter sido uma figura pública significativa, foi também incrivelmente divisivo, ferindo muitos com as suas palavras e ações". Tal não se trata propriamente de um exagero. Maestro da polarização, grande xamã do tribalismo e acólito vocal do trumpismo, a polémica do que fazer perante a sua morte talvez seja o tributo mais justo à sua vida.

Sebastião Bugalho
Leonídio Paulo Ferreira

O fim da civilização dos tupperwares

Foi a Segunda Guerra Mundial que deu um grande empurrão ao uso do plástico. Apesar de materiais como o nylon ou o acrílico terem sido inventados uns anos antes, foi a sua utilização nos paraquedas e nos cockpits dos aviões que promoveu a produção em massa. E não admira que na América pós-1945 a ambição das famílias fosse ter a casa cheia de tupperwares, com a proliferação dos recipientes mundo fora a acontecer em paralelo com a das embalagens.

Leonídio Paulo Ferreira
Raul Rasga

Jorge Borges de Macedo e a História da Cultura ou "a imensa diversidade do humano"*

Jorge Borges de Macedo (JBM) faria 100 anos no próximo dia 3 de março. No longínquo ano de 1988 entrei numa sala de aulas na Faculdade de Letras de Lisboa (FLL) para ser aluno de JBM. Nesse ano, o professor catedrático da FLL tinha escolhido duas turmas: uma do 1º ano e outra do 4º. Na primeira lecionaria Metodologia da História. Com 17 anos, recém-chegado a Lisboa e à FLL, as aulas de JBM abriam-me novas perspetivas. Professor exigente, dotado de um sentido de humor, por vezes ácido, ensinou-me que o mais importante era olhar para o "concreto vivido" nas sociedades e, na dialética entre o concreto e a teoria, poderíamos encontrar as explicações para os fenómenos que a História estuda. Uma História que só faz sentido apreendida na sua globalidade. Essa forma de olhar para a realidade e a profunda desconfiança face ao pensamento dogmático são heranças do professor JBM.

Raul Rasga
Jorge Moreira da Silva

Para quando uma bazuca de produtividade e competitividade?

Não menosprezo o Plano de Recuperação e Resiliência, nem o papel dos 17 mil milhões de subvenções europeias nele enquadrados. Mas lamento que teimemos em não perceber que os problemas de crescimento da economia não se podem resolver apenas na perspetiva do financiamento - e, muito menos, exclusivamente do lado do financiamento público -, ignorando os constrangimentos estruturais que nos impedem de crescer há décadas.

Jorge Moreira da Silva
Rosália Amorim

Duas grandes figuras portuguesas

De pequeno, Portugal só terá a dimensão geográfica, além de algumas mentalidades pequeninas e limitadas, mas não são essas que aqui me trazem hoje. Duas grandes figuras portuguesas, cada uma no seu estilo e no seu campo político, têm demonstrado do que são feitos os melhores de nós. António Guterres está a desempenhar a missão da sua vida, ao liderar as Nações Unidas até ao dia 31 de dezembro deste ano. Durão Barroso destacou-se como presidente da Comissão Europeia e agora volta a assumir um papel importante para todos: o de presidente do conselho de administração da Gavi, The Vaccine Alliance.

Rosália Amorim
Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye

Michel Déon, o escritor francês que amou Portugal

Michel Déon foi um escritor francês cosmopolita, inventivo, aberto e, além disso, conhecedor e amante de Portugal. Em 1991 foi eleito membro correspondente da Academia de Ciências. Surpreende-me que não seja mais conhecido, que seja tão difícil encontrar os seus livros, em francês, e ainda mais em português. Se alguém quiser voltar à boa novela, às histórias bem contadas, convido-vos a descobrir Michel Déon. Há muitos anos que sou seu leitor, desde que uma amiga francesa me passou Les poneys sauvages, uma novela que descreve muito bem as contradições, os objetivos e as vidas dos europeus em meados do século passado.

Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye
Jorge Costa Oliveira

O PRR, a falta de estratégias nacionais e a marginalização das pequenas empresas

Na página online do governo apresentando o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) informa-se que este "se insere no âmbito da Estratégia Portugal 2030, o referencial estratégico para as opções estruturais do nosso país ao longo da década, e que tem por base a visão estratégica para o plano de recuperação económica de Portugal 2020-2030, [...] elaborado pelo Professor António Costa Silva". Nesta visão propugna-se a criação de um "cluster do hidrogénio verde" e de um "cluster do lítio, do nióbio, do tântalo e das terras raras".

Jorge Costa Oliveira