Diz-me o que vestes, dir-te-ei quem és

Cada momento na nossa vida pede vestuário à altura. Pode ser um fato de gala, um vestido mais justo e atraente, uns calções práticos ou um casaco aconchegante - todas as peças vão influenciar quem nos vê e, mais importante, afetar ou refletir o comportamento de quem usa. de facto, somos mesmo aquilo que vestimos - a roupa manda mais em nós do que suspeitávamos.

Somos a única espécie que se veste, todos os dias, com uma roupa diferente. Por ela corremos quilómetros nos saldos (o triplo dos que maldizemos no ginásio). Batemo-nos como leões por aquela peca sem a qual não conseguimos, em absoluto, viver. Sonhamos, criamos códigos sociais, compensamos vazios. Comunicamos com o mundo, quer vistamos sempre da mesma maneira - dois pares de jeans e três camisas ate ao fio - quer usemos vermelho da cabeça aos pés - muito bom para ser notados mas péssimo, por exemplo, numa primeira entrevista de emprego. Afinal, o que e que a roupa esconde nas suas dobras? E porque fazemos estas escolhas? O que dizem de nos? E o que diz a psicologia dos seus efeitos em quem a veste? E em quem nos vê assim?

«O que vestimos afeta o modo como nos comportamos, sim. Quem nunca se sentiu mal numa roupa de que não gosta assim tanto? Quem não se sentiu poderoso numa peca impecável que lhe cai que nem uma luva?», questiona a stylist Sandrina Francisco, especialista em marketing de produtos e serviços de luxo. Propor mudanças de visual a clientes ensina-lhe que a roupa tem o poder de os tornar confiantes, sexy, inseguros, deslocados, atrevidos, criativos, divertidos, inseridos num grupo. «Muitas vezes aposta-se apenas no efeito nos outros quando, em primeiro lugar, devíamos Vestir-nos bem para nos sentirmos melhor ainda e só depois para agradar aos demais», insiste.

Um estudo de Emily Balcetis, publicado no jornal Psychological Science, dá razão a Sandrina: vestindo com gosto, qualquer que seja a nossa escolha, a segurança aparece. Para a experiência, a psicóloga pediu a um grupo de alunos que fizesse um percurso movimentado dentro do campus da Universidade de Ohio, nos EUA. E não foi branda: uns levariam a roupa habitual; os outros tinham de se vestir de Carmen Miranda, incluindo sutiã e chapéu com frutos de plástico. No final, o caminho pareceu infinito aos disfarçados - exceto a uns poucos que encarnaram a personagem com prazer e, assim, mantiveram a confiança intacta.

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