Ziyed B. Quem é o francês de 39 anos que foi abatido no aeroporto de Orly

Identificado pela polícia, era suspeito de se ter radicalizado. Antes de atacar militar no aeroporto baleou um polícia em operação stop

Era conhecido das autoridades, mas os motivos que levaram o francês Ziyed B. - é assim que está a ser identificado pela imprensa francesa - a roubar uma arma a uma militar no aeroporto de Orly, em Paris, continuam por esclarecer. A investigação à agressão "extremamente violenta", revelou um porta-voz do exército francês, foi entregue ao departamento antiterrorista de Paris, mas pouco se sabe de eventuais ligações do homem à 'jihad'.

Segundo o Le Parisien, Ziyed B., de 39 anos, não tinha ficha S, normalmente aberta aos suspeitos de atividades terroristas, mas estava sinalizado pelas autoridades, com currículo extenso em delitos de furto e tráfico de estupefacientes. Estaria sob vigilância dos serviços de informação porque, enquanto esteve detido, ter-se-ia convertido ao islão e radicalizara-se.

Natural de Paris, a viver em Val-d'Oise, o indivíduo tinha cadastro por roubos desde tenra idade - mais de 40 ocorrências - e estava sob controlo judiciário de um tribunal de Paris por um assalto recente à mão armada. Da última vez, esteve preso entre março e novembro de 2016. Depois de ter sido investigado pela DGSI - a direção-geral francesa para a segurança interna - chegou a ser alvo de buscas em 2015, devido à alegada "radicalização 'jihadista'", mas as autoridades não conseguiram elementos suficientes para confirmar as suspeitas.

Este sábado, Ziyed foi mandado parar às 6:55 em Paris - menos uma hora em Portugal - por uma brigada da polícia numa operação de controlo rodoviário. Seguia num Renault Clio branco, nas proximidades de Stains, Seine-Saint-Denis. Ainda entregou os documentos a um agente, mas depois disparou na direção dos polícias, ferindo um deles na face, antes de se pôr em fuga.

Minutos mais tarde, o veículo em que se deslocava foi localizado em Vitry-sur-Seine. Nesse local, roubou à mão armada um segundo automóvel, um Citroën Picasso, que seria mais tarde encontrado nas imediações do aeroporto de Orly. No Clio, as autoridades descobriram uma t-shirt com manchas de sangue.

As movimentações do agressor e a ligação do primeiro tiroteio com o ataque no aeroporto foram confirmadas por Bruno Le Roux, o ministro do Interior francês. O pai e o irmão de Ziyed foram entretanto detidos para interrogatório. Ter-lhes-á enviado mensagens escritas onde dizia ter "feito asneira". "Dei tiros à polícia". A casa do suspeito também foi, já este sábado, revistada pelas autoridades.

Quando chegou ao terminal Sul de Orly, Ziyed B. lançou-se sobre sobre uma militar da Força Aérea, que estava no local para reforçar o dispositivo de vigilância antiterrorista, a "Operação Sentinela". Eram oito e meia da manhã, hora local, menos uma em Lisboa. A patrulha, de três elementos, foi surpreendida pelo ataque: o indivíduo terá conseguido fazer refém a militar, apoderando-se da arma dela e usando-a para ameaçar os outros dois soldados. Foi um destes que o atingiu com três tiros, para proteger "a camarada e os passageiros", disse o ministro do Interior.

Nas redes sociais, circula uma imagem, entretanto obtida pela agência AFP, do que parece ser o corpo de Ziyed B. caído no chão do terminal de Orly, depois de alvejado. O Le Parisien conseguiu uma foto do rosto do suspeito.

Nos minutos seguintes, viveram-se momentos de pânico no terminal Sul do aeroporto de Orly, o segundo maior da capital parisiense. A não ser o agressor, não houve outros feridos a registar - a patrulha de militares atacada teve de receber assistência no momento, devido ao choque - mas os passageiros em trânsito julgaram que estava em curso um atentado terrorista. Ouviram-se gritos, atropelos e, no total, foram retiradas do edifício do aeroporto cerca de 3000 pessoas.

Ao início da tarde, o dispositivo de segurança mantinha-se no local, depois de a infraestrutura aeroportuária ter sido passada a pente fino. Não foram encontrados explosivos no local nem no corpo do agressor.

O ataque levou a que grande parte dos voos com direção a Orly fossem desviados, incluindo os da TAP. Os passageiros que estavam nos aviões que tinham acabado de aterrar foram impedidos de sair das aeronaves até ao início da tarde. Só nesta altura reabriu o terminal Oeste do aeroporto, estando previsto que o terminal Sul se mantenha fechado até ao final do dia, para a conclusão das operações da polícia científica.

Hollande agradece coragem dos polícias e militares

O presidente francês, François Hollande, saudou entretanto a "coragem e eficácia" demonstradas pelos agentes da polícia e militares que enfrentaram um homem "particularmente perigoso".

Em comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu, Hollande reafirmou a "determinação do Estado em atuar sem descanso na luta contra o terrorismo, defender a segurança dos compatriotas e assegurar a proteção do território".

Também o primeiro-ministro, Bernard Cazeneuve, já emitiu um comunicado sobre a situação em Orly, saudando o profissionalismo dos militares e das forças de segurança que neutralizaram o agressor e endereçando igualmente uma palavra de apoio aos polícias feridos durante o controlo rodoviário. Cazeneuve informou ainda que o ministro do Interior já se reuniu com os serviços de segurança e de informação e agradeceu também aos passageiros no aeroporto, "que mantiveram a calma enquanto os agentes trabalhavam na plataforma aeroportuária".

Aeroporto regressa à normalidade

Os dois terminais - Sul e Oeste - do aeroporto de Orly, sul de Paris, foram entretanto reabertos após a interrupção ao trafego aéreo, segundo os Aeroportos de Paris.

O tráfego foi retomado ao início da tarde, assim como as chegadas ao terminal Sul do aeroporto de Orly, sul de Paris, onde o tráfego aéreo foi "completamente interrompido" na sequência dos incidentes.

O regresso à total normalidade em Orly-Sul deverá acontecer somente durante a manhã de domingo, segundo disse à France Presse, Augustin de Romanet, responsável dos Aeroportos de França.

Os cerca de 200 passageiros afetados pelo cancelamento dos voos TAP com destino ao aeroporto de Paris-Orly vão poder viajar ainda este sábado, garantiu a companhia portuguesa.

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