O que disseram os líderes: as hipótese de coligações e os deputados que são contra referendos

Pedro Sánchez quer acabar com "desigualdades sociais". Pablo Iglesias anunciou que o Podemos está disponível para ajudar a viabilizar um governo do PSOE. Líder do Vox, elegeu 24 deputados, promete ser uma "voz da resistência" no parlamento espanhol.

"Ganhámos as eleições e vamos governar a Espanha. Queremos acabar com as desigualdades sociais no país e avançar com a concórdia de forma a acabar com a crispação que dominou a política espanhola nos últimos anos". No seu discurso de vitória o líder do PSOE, partido que terá 122 deputados, não fechou a porta a coligações e ao dizer que "não impomos cordões sanitários" acabou por também não excluir de eventuais acordos o partido de direita Ciudadanos. O que pode surpreender pois durante a campanha eleitoral trocou vários insultos com Albert Rivera.

Pedro Sánchez respondeu assim ao que o líder do Podemos, e membro da coligação Unidas Podemos (elegeram 42 deputados), tinha dito minutos antes quando Pablo Iglesias disse que iria trabalhar para que surgisse em Espanha uma solução governativa de esquerda.

"Estes resultados mostram que Espanha tem uma democracia sólida. E agora temos três desafios: acabar com as desigualdades sociais no país, acabar com a crispação política que tem acontecido em Espanha nos últimos anos e acabar com a corrupção, ter uma política limpa", anunciou o futuro primeiro-ministro espanhol.

Depois de salientar que ao contrário do que "diziam há vários anos, que este partido não tinha futuro, estamos aqui a reivindicar o futuro", Pedro Sánchez garantiu que irá construir "um governo pro-europeu, para reforçar a Europa". E terminou o discurso com a frase: "Vamos construir a Espanha que queremos."

Podemos desiludido

Uma das forças políticas que perdeu deputados em relação às eleições de 2016 foi a coligação Unidas Podemos (42 este ano quando em 2016 tinha tido 71). Um resultado que inesperado mas que não afastou o líder do Podemos Pablo Iglesias do objetivo de estar disponível para uma solução de governo.

Não adiantou muito mais sobre o assunto - "vamos trabalhar com paciência para que Espanha tenha um governo de esquerda, é essa a nossa vontade", frisou - deixando todas as perguntas sobre o tema para serem respondidas por Pedro Sanchez.

"Gostaríamos de ter um resultado melhor, temos de fazer alguma autocrítica. Mas, conseguimos evitar um governo de direita", sublinhou.

A reação efusiva do Vox

Mais efusivo está nesta noite eleitoral o líder do Vox, Santiago Abascal. O partido de extrema-direita conseguiu eleger 24 deputados que, segundo o seu responsável, vão ser a "voz dos 2,5 milhões de espanhóis" que votaram nele.

"Serão 24 deputados ao serviço de Espanha e da liberdade. Não aceitaremos mudanças na constituição para se fazerem referendos sobre independências", frisou.

E concluiu um longo discurso com a seguinte frase: "Bem-vindos à resistência. Seguiremos sem medo, por Espanha."

"Voltaremos a crescer nas Europeias e autárquicas"

O líder do Ciudadanos, Albert Rivera, estava exultante na noite deste domingo. O partido conseguiu eleger 57 deputados, mais 25 que em 2016, o que fez com que no seu discurso falasse no objetivo de um dia governar em Espanha. "Que a força do Ciudadanos nunca pare. Voltaremos a crescer nas autárquicas e nas Europeias. Hoje começa um projeto vencedor", frisou.

"O nosso resultado foi muito mau"

Na sede de campanha do PP houve durante toda a noite deste domingo muito poucos militantes, ao contrário do que aconteceu em anteriores noites eleitorais.

Estava tudo preparado para uma possível celebração, com a fachada da sede, na Calle Genova, coberta por um painel de grandes dimensões com uma imagem do líder, Pablo Casado, e uma faixa com o lema "Valor Seguro", mas a rua está praticamente vazia e apenas alguns populares e jornalistas estão em frente ao edifício. No interior, os dirigentes que acompanham Casado também decidiram não descer ao rés-do-chão até que haja resultados definitivos.

A exceção foi o secretário-geral, Teodoro García Egea, que fez uma breve declaração sem direito a perguntas.

Perante este cenários e sob anonimato um dirigente do PP disse ao jornal diário El País que o partido está "dizimado". "O Vox teve um efeito devastador pois milhares de votos não tiveram correspondência em deputados eleitos. Mobilizaram a esquerda que, tal como o Ciudadanos, aproveitaram. É uma catástrofe", acrescentou.

Mais tarde, Pablo Casado acabou por surgir e fazer uma declaração: "Felicito Pedro Sánchez e o PSOE pela sua vitória. Somos o partido líder do centro-direita mas o nosso resultado foi muito mau. Vamos trabalhar para recuperar o apoio dos espanhóis. O eleitorado da direita deve dar-se conta de que um voto disperso só beneficia o governo de Pedro Sánchez."

Mais Notícias

Outras Notícias GMG