"Vocês não vão sobreviver": o aviso antes da chegada do Irma à Florida

Furacão perdeu ontem força ao passar pelo norte de Cuba, mas deveria voltar a recuperar antes de chegar aos EUA

Os primeiros efeitos do furacão Irma já se faziam sentir na Florida, apesar de o olho da tempestade ainda estar a mais de 300 km sobre o norte de Cuba, quando o governador deste estado norte-americano, Rick Scott, voltou aos ecrãs de televisão para um último alerta. "Se receberam ordens de evacuação, saiam agora. Não é esta noite. É agora. Assim que a tempestade chegar, as forças de segurança não vos podem salvar", disse, alertando para o risco de subida do nível das águas 4,5 metros acima do normal. "Pensem nisso, vai cobrir as vossas casas. Vocês não vão sobreviver."

A Florida deverá ser atingida diretamente pelo Irma, o maior furacão a formar-se no Atlântico, esta manhã. Mas a meio da tarde de ontem os ventos já tinham deixado 25 mil casas sem eletricidade neste estado. A rota do furacão deslocou-se ligeiramente, devendo o olho do furacão subir pela costa oeste da Florida, depois de atingir as Keys (arquipélago a sul do território continental dos EUA). Mas a costa leste também sentirá a sua força. Mais de 6,3 milhões de pessoas - vivem 20,6 milhões neste estado - receberam ordem para partir. "Não ponham em risco a vossa vida e da vossa família", disse Scott.

Nos estados mais a norte (Georgia, Carolina do Sul e do Norte), eram várias as pessoas a oferecer um teto através do Facebook para quem estava a fugir da tempestade. "Sou uma sobrevivente do Katrina, sei como pode ser difícil", dizia uma mulher na Carolina do Norte que oferecia um quarto na sua casa para acolher uma família. Na Florida, havia também vários abrigos preparados para acolher quem foi obrigado a sair de casa - só no condado de Miami Dade havia 40, que abrigavam 26 mil pessoas. Para evitar pilhagem e roubos, foi instituído o recolher obrigatório entre as 20.00 e as 07.00 da manhã (hora local, menos cinco que em Lisboa).

Um dos piores furacões a atingir a Florida foi o Andrew, em agosto de 1992, matando diretamente 15 pessoas (e outras 29 de forma indireta) e causando mais de 26 mil milhões de dólares de prejuízo. Quase 140 mil casas ficaram destruídas, tendo desde então havido mudanças ao nível das regras de construção. Mas as autoridades não se cansam de repetir que o Irma vai ser muito pior - e não é só uma questão de tamanho. "Esta é a tempestade mais catastrófica que este estado alguma vez viu", indicou o governador.

Em primeiro ligar, o Andrew atravessou o sul da Florida, de leste para oeste, durante apenas quatro horas. O Irma, além de ser maior em diâmetro do que este estado, vai cruzá-lo de sul para norte, durante mais de 24 horas - onde deslocava-se a 15 km/h. Em segundo lugar, apesar de ontem ter passado para categoria 3 durante a passagem pelo norte de Cuba, com ventos de 205 km/h, o centro de furacões dos EUA estimava que o Irma pudesse recuperar a sua força antes de chegar à Florida, com ventos de 258 km/h. O Andrew era de categoria 5 quando atingiu o território norte-americano, apresentando ventos de 233 km/h.

Finalmente, a Florida de hoje é também muito diferente da dos anos 1990. As zonas sul e centro do estado cresceram a um rito alucinante, tendo hoje mais seis milhões de habitantes do que então. Condomínios de luxo com edifícios altos marcam a zona costeira. As autoridades temem que cem mil pessoas possam ficar desalojadas devido ao Irma. Outro problema é que a maioria dos proprietários não tem seguro que cubra inundações - só 42% das casas que estão em áreas consideradas problemáticas têm cobertura.

Enquanto a Florida se preparava para o Irma, o norte de Cuba sofria as suas consequências, depois de o olho do furacão (então ainda de categoria 5) ter entrado pelo arquipélago de Camaguey. Foi o primeiro furacão de categoria 5 a atingir a ilha desde 1932, segundo as autoridades cubanas, que tinham procedido à retirada de dez mil turistas estrangeiros (incluindo portugueses) das zonas de maior risco para Varadero e Havana. Mas nem a capital escapou às inundações costeiras provocadas pela tempestade. No total, um milhão de pessoas foram obrigadas a sair de casa, sendo que a maioria (77%) foi para casas de familiares noutras províncias.

Atrás do Irma, o Jose era ontem um furacão de categoria 4, com ventos de 230 km/h, ameaçando as ilhas das Pequenas Antilhas que ficaram praticamente destruídas a meio da semana. Contudo, a previsão é que o olho da tempestade passe a norte de Antigua e Barbuda e das Ilhas Virgens, virando ainda mais para norte e perdendo força sem atingir diretamente terra.

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