Violência numa dúzia de cidades dos EUA apesar do recolher obrigatório

Guarda Nacional está nas ruas e Pentágono está de prevenção para enviar militares. Trump aponta o dedo a "grupos criminosos e vândalos" e Biden condena a violência.

Confrontos entre manifestantes e polícias abalaram no sábado à noite as principais cidades dos EUA, colocadas sob recolher obrigatório, na sequência da morte do afro-americano George Floyd.

O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu "travar a violência coletiva", após várias noites de distúrbios em Minneapolis, onde Floyd, de 46 anos, foi morto na segunda-feira pela polícia local.

Segundo a agência Associated Press (AP), a polícia deteve cerca de 1.400 pessoas em 17 cidades.

Em Minneapolis, no estado do Minnesota (norte), agentes com equipamento antimotim carregaram sobre manifestantes, que desafiaram o recolher obrigatório, disparando granadas de gás lacrimogéneo e de atordoamento.

Confrontos registaram-se também em Nova Iorque, Filadélfia, Los Angeles e Atlanta, levando os responsáveis destas duas últimas cidades, bem como os de Miami e de Chicago, a anunciar a imposição do recolher obrigatório.

Trump, que denunciou já repetidamente a "morte trágica" de Floyd, atribuiu os confrontos a "grupos da extrema-esquerda radical" e ao "Antifa" (antifascistas).

"Não devemos deixar que um pequeno grupo de criminosos e vândalos destrua as nossas cidades", declarou.

Já o ex-vice-presidente e provável candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, condenou a violência dos protestos. "Manifestar-se contra tal brutalidade [da polícia na morte de Floyd] é um direito e uma necessidade", afirmou em comunicado. Contudo, "incendiar cidades e provocar a sua destruição gratuita ou a violência que põe vidas em perigo já não é".

Também o governador do Minnesota, Tim Walz, denunciou elementos exteriores ao estado e que apontou como possíveis anarquistas, mas também supremacistas brancos ou traficantes de droga.

Mobilização da Guarda Nacional e Pentágono em alerta

Para controlar a situação, Walz anunciou a mobilização dos 13 mil soldados da Guarda Nacional do estado e pediu ajuda ao Departamento de Defesa.

Unidades da polícia militar foram colocadas em estado de alerta para uma eventual intervenção em Minneapolis, no prazo de quatro horas, precisou o Pentágono.

A polícia militar só pode intervir em território norte-americano em caso de insurreição.

Centenas de manifestantes concentraram-se em protesto também em Dalas, Las Vegas, Seattle e Memphis, entre outras cidades.

Em Washington, junto à Casa Branca, as granadas de gás lacrimogéneo e focos de incêndio marcaram a noite de sábado.

Em Nova Iorque, mais de 200 pessoas foram detidas, na sequência de confrontos com a polícia. Vários agentes ficaram feridos, enquanto em Atlanta ou em Miami, numerosos veículos policiais foram incendiados.

Pelo menos cinco agentes ficaram feridos em Los Angeles e centenas de pessoas foram detidas, na sequência de confrontos, pilhagens e incêndios, sobretudo em lojas de luxo de Beverly Hills.

Em todo o país, pelo menos duas pessoas morreram nos incidentes e dezenas ficaram feridas.

Na origem dos protestos está a morte do afro-americano George Floyd, de 46 anos, às mãos da polícia, depois de ter sido detido sob suspeita de ter tentado usar uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) num supermercado de Minneapolis, no estado de Minnesota.

Nos vídeos feitos por transeuntes e difundidos 'online', um dos quatro agentes, que participaram na detenção, tem um joelho sobre o pescoço de Floyd, durante mais de oito minutos.

Os quatro foram já despedidos da força policial e o agente Derek Chauvin foi acusado de homicídio involuntário.

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