Verdes alemães deslocam-se para o centro com novos líderes

Habeck e Baerbock são os novos líderes do partido que ficou em quinto nas eleições de setembro e chegou a negociar, sem sucesso, uma coligação com o FDP e a CDU/CSU

Os Verdes alemães têm desde há uma semana uma nova liderança. Bifécala e paritária, como é costume entre os ecologistas. Robert Habeck e Annalena Baerbock sucedem assim no cargo a Cem Özdemir e a Simone Peter. A dupla é oriunda da chamada ala Realo, a fação mais moderada do partido, o que revela, de alguma forma, uma vontade de continuar a deslocar a formação da esquerda radical cada vez mais para o centro. E aí poderia tentar roubar espaço ao SPD, partido que nas eleições legislativas de 24 de setembro teve o pior resultado de sempre e se encontra a negociar uma nova grande coligação com a CDU/CSU de Angela Merkel (chanceler há já 12 anos).

No escrutínio de há quatro meses os Verdes tiveram 8,9% dos votos e ficaram em quinto lugar. Ainda chegaram, com os liberais, que ficaram na quarta posição com 10,7% dos sufrágios expressos, a iniciar conversações com a CDU/CSU de Merkel para formar uma coligação Jamaica. Mas as negociações falharam - em grande parte por desistência do FDP - e a chanceler teve que voltar-se de novo para os sociais-democratas. Se, por algum motivo, falhassem as atuais negociações entre os conservadores e o SPD, os Verdes ainda poderiam avançar. "O partido está preparado para se envolver, mas é muito improvável que CDU/CSU aceitassem formar um governo minoritário connosco", disse, à Deutsche Welle, o vice-líder parlamentar dos Verdes no Bundestag Anton Hofreiter.

Defendendo uma deslocação do partido para o centro, Annalena Baerbock, de 37 anos, disse: "Se virmos uma suposta contradição entre o radicalismo e a governação como uma oportunidade e não como uma fraqueza então o dia de hoje é realmente um começo", declarou a nova co-líder dos Verdes ao ser eleita pelo partido - recolheu 64% dos votos no congresso que decorreu em Hanôver. Robert Habeck, de 48 anos, teve 81% e garantiu que durante o seu mandato será oportunidade de avançar com as políticas do partido. Mantendo as preocupações ambientais (o chamado escândalo do dieselgate é uma das questões que afastava os Verdes da CDU/CSU de Merkel), Baerbock e Habeck pretendem agora pôr o foco também na preocupação com questões sociais.

A primeira é formada em Ciência Política e Direito pela Universidade de Hamburgo e pela London School of Economics,trabalhou no Parlamento Europeu e é deputada no Bundestag em 2013. Casada, com dois filhos, vive em Potsdam, no estado de Brandemburgo. Mais conhecido do que ela, é o seu parceiro de liderança de partido. Habeck entrou na corrida para ser candidato a chanceler dos Verdes nas eleições de setembro, mas perdeu, por 75 votos, para Özdemir. Alemão de origem turca, era um político conceituado no país. Mesmo assim decidiu ceder a liderança do partido depois de falharem as negociações da coligação Jamaica. Habeck é natural do estado de Schleswig-Holstein, onde desempenha o cargo de vice-ministro-presidente para a Energia, Agricultura, Ambiente e Áreas Rurais, num governo de coligação entre Verdes, liberais do FDP e CDU/CSU. A aliança Jamaica que não se concretizou a nível nacional -e tantas desconfianças gerava no eleitorado - parece funcionar a nível regional.

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