Apagão. Governo de Maduro diz que vai provar envolvimento dos EUA

A energia já foi restabelecida em algumas regiões, mas segundo a EFE mais de metade do país continua sem eletricidade

O Governo da Venezuela garantiu, na sexta-feira, que vai fornecer à ONU, "dentro de poucos dias", provas de que os Estados Unidos estiverem envolvidos no apagão que deixou quase todo o país sem eletricidade. A informação será dada a uma delegação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Caracas, afirmou o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.

"Dentro de poucos dias, uma delegação do Gabinete de Direitos Humanos da ONU, chefiada por Michelle Bachelet, virá à Venezuela e nós forneceremos provas" do envolvimento norte-americano, disse Rodríguez, num discurso transmitido pela televisão pública.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos vai enviar uma equipa de cinco pessoas à Venezuela para se reunir, nomeadamente, com "vítimas de violações dos direitos humanos", anunciou na sexta-feira a organização. Esta "missão técnica preliminar", que acontecerá de 11 a 22 de março, tem por objetivo preparar uma possível visita da alta comissária, a chilena Michelle Bachelet, que foi oficialmente convidada pelo Governo venezuelano em novembro, segundo um comunicado do organismo da ONU.

Há quase 40 horas sem eletricidade

A Venezuela depara-se desde quinta com um "apagão" que afetou quase todo o país. O corte de energia levou ao cancelamento de voos e suspensão de aulas, prejudicou o funcionamento dos hospitais e permitiu a ocorrência de vários assaltos. A EFE está a noticiar que a eletricidade foi restabelecida hoje de madrugada em algumas zonas do leste e oeste de Caracas, mas que mais de metade do país continuam sem energia há 40 horas.

Há áreas onde os semáforos foram reativados e algumas lojas estão abertas. Ainda encerrado continua o metro de Caracas, o meio de transporte diário de centenas de milhares de pessoas. O metro irá permanecer encerrado até à normalização dos serviços de eletricidade. As comunicações fixas e móveis continuam afetadas e só é possível fazer chamadas de curta distância após várias tentativas.

Este restabelecimento de energia está circunscrito apenas a algumas zonas da capital venezuelana, porque segundo a EFE, que cita vários testemunhos, outros bairros de Caracas e vários dos 23 Estados do país continuam sem energia há 40 horas seguidas. Às 14:00 (hora de Lisboa) de hoje, o "apagão" cumpriu 40 horas seguidas nos Estados de Trujillo, Zulia, Táchira, Anzoátegui, Merida, Lara e Monagas, de acordo com as autoridades regionais e os meios de comunicação locais.

De quem é a culpa do apagão?

A Empresa Elétrica Nacional (Corpoelec) reagiu, anunciando que a distribuição de energia foi sabotada na instalação de Guri, a mais importante de todo o sistema, que fica situada no sul e e abastece cerca de 70% do país.

O ministro responsável pela área, Luis Motta Domínguez, assegurou em declarações à televisão estatal VTV que o corte se devia a uma "sabotagem". Também o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusou o "imperialismo norte-americano" de estar numa "guerra elétrica" contra a Venezuela, e vários outros funcionários também nomearam Washington.

O Presidente venezuelano não fez declarações públicas desde o início do "apagão", mas tem publicado várias mensagens na rede social Twitter a responsabilizar os Estados Unidos pelo corte de energia. "O império dos Estados Unidos, uma vez mais, subestima a consciência e a determinação do povo venezuelano. Garanto-vos que cada tentativa de agressão imperial vai encontrar uma resposta contundente das patriotas e dos patriotas que amam e defendem com coragem, a nossa pátria", escreveu hoje o líder venezuelano.

O Governo de Maduro assegura que o corte de energia foi provocado por "um ato de sabotagem" na principal central hidroelétrica do país, controlada pelo Estado, apontando responsabilidades à oposição venezuelana.

Em contrapartida, os especialistas atribuem o fracasso à falta de investimento do Governo na manutenção da infraestrutura. O líder da oposição, Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente interino, afirmou: "A corrupção e o desastre são as responsáveis por esta situação" e lamentou que a Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo, esteja a ser afetada por cortes elétricos.

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