Venceu a pneumonia, a legionella e a covid. Italiano regressa a casa após nove meses no hospital

"O guerreiro combate, o celerino vence". Foi com uma faixa com esta mensagem que o polícia italiano comemorou a alta. Era um dos doentes mais antigos em recuperação da covid-19, mas conseguiu sobreviver.

É uma boa notícia para Itália, "um milagre" para a família do agente da polícia italiano (celerino). Stefano Lancilli, de 55 anos, vive em Borghetto Lodigiano, uma comuna italiana da região da Lombardia, e esteve internado desde novembro de 2019. Primeiro com uma pneumonia, depois contraiu legionella e acabou por ficar infetado com covid-19. Sobreviveu.

"É um vírus resistente, muito resistente", disse o polícia, à saída do hospital de Sant'Angelo Lodigiano, no dia 9 de outubro. Nas mãos, a mensagem que é o mote daquela força policial: ""O guerreiro combate, o celerino vence".

Lancilli foi um dos primeiros italianos a contrair o novo coronavírus - foi diagnosticado a 4 de março quando já estava hospitalizado em Codogno.

O regresso a casa foi "triunfal" , conta o Corriere della Sera: foi recebido pela família e amigos e também pelo comissário Giovanni Di Teodoro. "Foi ele quem me acolheu em casa, um carro da polícia acompanhou-me até à entrada com a sirene ligada", contou.

Internado, nada sabia sobre a pandemia nem sobre o confinamento em Itália

O que Stefano Lancilli passou nos últimos meses foi uma verdadeira odisseia. Entrou no hospital em novembro por causa de uma pneumonia, depois foi diagnosticado com legionella (fez duas semanas de terapia intensiva) e quando estava internado começou a apresentar sintomas de infeção por covid-19.

O italiano sofre de problemas cardíacos e é diabético, a certa altura não conseguia sequer aguentar a respiração artificial. A família preparou-se para o pior.

"A certa altura - conta a mulher, Nádia - deram-lhe 48 horas de vida. Quase me resignei de que o iria perder", recorda.

Para Stefano, o primeiro mês com covid é um buraco na memória: "Não me lembro de quase nada. Nem sabia sobre a pandemia e o confinamento", diz.

O polícia acabou por conseguir recuperar da infeção. "É um milagre, não vejo outra explicação", afirma. Depois de um mês infetado, o teste à doença foi negativo.

O processo de reabilitação foi longo. Tinha os músculos atrofiados, não conseguia andar e perdeu 35 quilos. Demorou vários meses até conseguir sair da cama para se sentar numa cadeira. Apesar de ter corrido o risco de nunca mais voltar a andar, também contornou essa previsão e saiu do hospital pelo seu próprio pé.

O Ministério do Interior antecipou a reforma de Stefano, devido aos problemas de saúde com que o agente ficou.

"Vou sentir muita a falta dos meus colegas, mas agora começa uma segunda fase da minha vida: perdi um ano com a minha família, só quero estar com eles e ver os meus filhos crescerem", diz Stefano Lancilli.

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