Exclusivo "Vemos Portugal e parece normal a unidade política. Em Espanha o governo é frágil e não procura o consenso"

O politólogo Lluis Orriols, doutorado em Ciências Políticas e professor na Universidade Carlos III de Madrid, mostra-se surpreendido pela resposta do governo de Pedro Sánchez à crise do coronavírus, centralizando todo o poder. Um comportamento que denota desconfiança num dos pilares do sistema político espanhol: a descentralização.

Por que é que em Espanha não é possível ter unidade política em momentos tão críticos como o que estamos a viver agora com a pandemia de covid-19?
Há várias razões. Vemos países como Portugal e pode parecer que em situações de crise o normal é a unidade política ou uma redução da oposição. Mas é mais uma crença generalizada do que uma evidência rotunda. A realidade é que existem muitas respostas, em função de alguns fatores. Por exemplo, a oportunidade que vê o partido da oposição de substituir o governo depois desta crise. Quanto mais frágil é um governo, mais fácil é que não tenha apoios. Outro elemento que pode influir é o momento no qual se encontra a oposição. Quando é uma oposição forte, é mais provável o entendimento com o governo. E mais um elemento: nem todos os partidos respondem da mesma forma. Os partidos de alternância de governo têm uma resposta mais leal e os que são ideologicamente extremos e populistas dificilmente vão procurar a cumplicidade. Por tudo isto vemos em Espanha esta divisão. No caso concreto do comportamento do principal partido da oposição, o PP, há dois elementos: a fragilidade do governo, de coligação minoritário e instável; e um PP asfixiado pela competição do Vox.

Como está a reagir o governo de Pedro Sánchez a esta crise?
O facto de ser um governo de coligação minoritário não ajuda em contextos em que é preciso o apoio maioritário do parlamento. A instabilidade política que vemos agora está a ser arrastada desde 2015 perante a incapacidade de formar maiorias estáveis. Também é certo que a atuação do governo, que precisa de apoios, tomou as rédeas sem dialogar nem com os partidos nem com as autonomias. Tirou-lhes o poder todo e não procurou o entendimento. Poderia ser uma inconsistência, um governo frágil que não procura o consenso.

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