Van Jones. Quem é o comentador da CNN que chorou em direto com a eleição de Biden?

O advogado e comentador da CNN não conteve as lágrimas assim que soube que estão a terminar os dias de Trump na Casa Branca e, com eles, o fim dos problemas de racismo que ensombraram os EUA, uma causa pela qual tem lutado ao longo da vida.

Anthony Kapel Jones, de 52 anos, tornou-se um autêntico símbolo da vitória de Joe Biden sobre Donald Trump nas eleições presidenciais americanas, depois do que aconteceu no sábado, em direto, quando, como noutras ocasiões em que foi chamado a dar o seu comentário, entrou em direto na estação de televisão CNN.

Van Jones, o nome que adotou aos 17 anos, quando trabalhava no jornal The Jackson Sun, da cidade de Jackson, no estado de Tennessee, onde nasceu, era um dos convidados para comentar a eleição de Biden, mas não conteve a emoção, deixando escapar as lágrimas enquanto dizia, através das palavras simples de um pai americano, que a tolerância estava de volta à América depois da derrota de Trump.

"Foi mais fácil ser pai esta manhã. É mais fácil ser pai e dizer aos teus filhos que o carácter importa, que a verdade importa! Ser uma boa pessoa importa", começou por dizer o advogado e antigo conselheiro de Barack Obama na Casa Branca, com a voz embargada ao mesmo tempo que limpava as lágrimas que lhe começavam a escorrer pela face.

Apesar da emoção, Van Jones continuou, sem ser interrompido. "É mais fácil para muitas pessoas. Se é um muçulmano neste país não tem de se preocupar se o presidente não o quer aqui e o manda embora sem nenhum motivo. É a desforra de muitas pessoas que realmente sofreram. Que diziam 'I can"t breathe". E não era apenas George Floyd, mas muitas outras pessoas que não podiam respirar porque pessoas que outrora tinham medo de mostrar o seu racismo estavam agora a ser cada vez mais maldosas. Não podias ir ao centro comercial sem que alguém dissesse alguma coisa e com isso gastavas muita energia da tua vida só para te aguentares. Agora, isto é algo importante apenas para ter a possibilidade de haver alguma paz e uma oportunidade para recomeçar."

O discurso soluçante de Van Jones teve um enorme impacto na sociedade americana, tendo sido largamente partilhado nas redes sociais e a forma como terminou exemplifica bem a forma como, ao longo da sua vida, defendeu os direitos pela igualdade. "O caráter do país é importante. Ser um bom homem importa. Só quero que meus filhos olhem para isso. Sinto muito pelas pessoas que perderam, para eles não é um bom dia, mas para muitas outras pessoas este é um bom dia", frisou.

Admirador dos irmãos Kennedy e ativista de esquerda

A educação de Van Jones foi bastante religiosa e virada para os valores da história americana. Enquanto criança costumava acompanhar o avô, líder da Igreja Episcopal Metodista Cristã, em conferências, durante as quais permanecia sentado a ouvir os adultos e os seus relatos sobre grandes figuras da história da América.

Foi por essa altura que aprendeu quem tinham sido John Kennedy, Martin Luther King e Robert Kennedy. Tornou-se sobretudo admirador dos irmãos Kennedy, cujas fotos chegou a colar na parede do seu quarto ao lado das personagens do filme Star Wars.

Formou-se em direito na Universidade de Yale, em Connecticut, e em 1992 após o espancamento do operário de construção civil afro-americano Rodney King, em Los Angeles, foi um dos estudantes escolhidos pelo Comité de Advogados para os Direitos Humanos para ser observador jurídico dos protestos desencadeados pelo veredicto do julgamento, que absolveu três dos quatro polícias que espancaram King.

A verdade é que Van Jones acabou por ser detido nas manifestações, tendo as acusações sido posteriormente retiradas. No entanto, aquele acontecimento afetou profundamente a forma como passou a ver os Estados Unidos, tornando-se um ativista de esquerda, por uma sociedade multirracial e contra a violência policial, a mesma que o tem revoltado ainda mais nos últimos tempos, sobretudo desde o assassinato de George Floyd.

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