Uma coisa dos diabos. Juiz trava instalação de escultura

Escultor ofereceu à cidade de Segóvia uma estátua de um diabo para ilustrar uma lenda popular. A autarquia aceitou, mas duas mulheres promoveram uma petição contra esta "exaltação do mal".

Um juiz de Segóvia travou a instalação de uma escultura de um diabo junto ao aqueduto desta cidade espanhola, depois de queixas de vizinhos, revelou este sábado o jornal El País.

Com a estátua em causa, a autarquia queria estimular a visita de turistas a uma determinada zona da cidade, uma vez que os turistas se concentram ao redor de algumas ruas do centro histórico de Segóvia.

Reza a lenda popular que o aqueduto não foi construído pelos romanos, como na realidade foi, mas sim pelo próprio Diabo, que foi enganado por uma jovem segoviana para o construir numa única noite. É esta a história que as autoridades da cidade gostariam de perpetuar na Rua de San Juan, junto ao aqueduto.

"Se a escultura funcionar, haverá mais gente na área da muralha norte, que também é muito importante para Segóvia, mas menos visitada que [outras zonas] do aqueduto", explica Claudia de Santos, vereadora da cidade.

O diabo em causa mede 1,70 metro de altura e, sinal dos tempos, tem na mão um telemóvel, enquanto parece estar a tirar uma selfie. A ideia para a escultura veio da Alemanha, revelou ao jornal o escultor de Mefistófeles. "Tudo começou com uma viagem a Lübeck. Há também uma lenda local de enganar o diabo para construir uma igreja. Quando vi a pequena figura que eles tinham como uma homenagem, pensei: 'Que bonita ideia para levar para Segóvia'."

José Antonio Abella, o criador e doador da estátua da controvérsia, médico rural reformado nasceu em Burgos há 63 anos, mas considera-se um filho adotivo de Segóvia. As queixas contra a sua criação apanharam-no surpresa: "Eu não entendo nada. Eu só queria prestar uma homenagem à minha cidade e criar algo para devolver tudo o que me deram", confessa Abella com tristeza.

Quem quer fugir da escultura como o diabo da cruz foram duas mulheres, Marta Jerez e Esther Lázaro, que fundaram a Associação San Miguel e San Frutos, para tentar evitar a colocação da estátua. Segundo a petição que colocaram a correr na internet, e que já tem mais de 5 mil assinaturas, a escultura "é ofensiva para os católicos, porque pressupõe uma exaltação do mal".

E o ar sorridente do diabinho em pedra só pioras as coisas. "O diabo é representado sozinho, dando-lhe todo o protagonismo, sem estar ao lado de uma igreja, ou em qualquer outro ambiente que reflita a rejeição dessa figura." Há coisas que não lembram nem ao diabo.

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