"Um bom acordo para toda a Europa", diz Boris Johnson

Uma "relação estável e próspera para ambas as partes", foi como o primeiro-ministro britânico descreveu o acordo comercial a assinar com a União Europeia.

Após vários dias em que se mostrou pessimista sobre a possibilidade de um acordo sobre as relações futuras com a União Europeia, o primeiro-ministro do Reino Unido mostrou-se em júbilo por ter se ter chegado a um consenso.

Boris Johnson disse que este acordo oferece uma "nova estabilidade" para a relação do Reino Unido com a UE e certeza no que ele diz ter sido por vezes uma relação "fracassada".

O primeiro-ministro conservador disse que o acordo entre Londres e Bruxelas vale 660 mil milhões de libras por ano e vai "proteger empregos em todo este país", permitindo que os bens sejam vendidos "sem tarifas nem quotas" na UE.

O Reino Unido será "dinâmico e próspero", o que diz não ser uma "coisa má" para a UE.

"Retomámos o controlo das nossas leis e do nosso destino", declarou.

Lembrou que os britânicos terão o "controlo total" das suas águas pela primeira vez desde 1973.

Vestido com uma gravata com um padrão de peixes, Johnson disse no período de perguntas dos jornalistas que seria "justo" dizer que os britânicos queriam "controlo completo" das pescas desde o início e a UE queria um período de transição muito mais longo, mas que os dois lados acabaram por chegar a um compromisso "razoável" sobre a questão.

O homem que liderou a campanha pelo Brexit confirmou a saída do Reino Unido do programa Erasmus, de intercâmbio de estudantes universitários, por "ser muito caro".

Ao perguntarem-lhe se não haverá perturbações a curto prazo na circulação de pessoas e bens, Boris Johnson não esclareceu, ao dizer que haverá "coisas a acertar" e processos sobre os quais as pessoas terão de ser informadas.

A Comissão Europeia e o Reino Unido deram por concluída a negociação de um acordo que regula a relação comercial pós-brexit. O projeto de acordo de comércio e cooperação está assente em três pilares: acordo de comércio livre, um novo quadro jurídico e de cooperação judicial em matéria de direito penal e civil, e um acordo sobre governança, no qual se estabelece um Conselho Conjunto de Associação, que se certificará de que o acordo é aplicado e interpretado, e no qual todas as questões que surjam serão discutidas.

A 1 de janeiro de 2021, o período de transição em que o Reino Unido ainda goza de todos os direitos e obrigações idênticos ao de um Estado-Membro, será substituído por um acordo comercial, que foi finalmente fechado esta tarde, numa reunião por Zoom, e que vai ser assinado por Londres e Bruxelas, depois de os deputados britânicos o aprovarem. A esse propósito, Boris Johnson exortou o líder da oposição Keir Starmer a dar visto bom ao acordo, que deverá ir à Câmara dos Comuns no dia 30.

"Desde as eleições, o Partido Trabalhista tem instado o governo e a UE a assegurar um acordo comercial, porque isso é do interesse nacional. Apresentaremos a nossa resposta formal ao acordo na devida altura", reagiu um porta-voz do Labour.

Não muito depois o próprio Starmer confirmou que os trabalhistas irão votar a favor do acordo quando este for apresentado ao Parlamento, porque uma saída sem acordo "simplesmente não é uma opção".

O líder do Labour discordou da ideia de quem têm vindo a apelar à abstenção do partido numa votação sobre um acordo. "Não é simplesmente credível que o partido fique à margem", acrescentou Karmer, um europeísta ao invés do antecessor, Jeremy Corbyn.

Keir Starmer criticou ainda o governo porque, argumenta, o acordo em vista não é o que foi prometido por Boris Johnson.

Cautela na Irlanda, mágoa na Escócia

A líder do executivo da Irlanda do Norte, Arlene Foster, reagiu no Twitter de forma cautelosa. "Temos exortado constantemente ambas as partes a alcançar um acordo", escreveu a unionista, cujo partido, DUP, se opôs na Câmara dos Comuns a qualquer acordo que estabelecesse, como é o caso, uma fronteira no mar da Irlanda entre a Irlanda do Norte e Grã-Bretanha.

"Iremos, evidentemente, examinar os detalhes tanto do próprio acordo comercial como de outras questões como a segurança, onde o acordo será particularmente importante do ponto de vista da Irlanda do Norte", concluiu.

Já o primeiro-ministro da República da Irlanda, Micheal Martin, num comentário à Sky News, reconheceu que o Brexit "criou tensões", mas que "há agora uma oportunidade para uma nova fase de pós-Brexit" entre irlandeses e britânicos.

Sem esconder o descontentamento, a chefe do governo escocês Nicola Sturgeon afirmou em comunicado que "as principais promessas do governo britânico sobre as pescas foram quebradas".

"Um acordo é melhor do que nenhum acordo. Mas, só porque, no último momento, o governo do Reino Unido decidiu abandonar a ideia de um desfecho sem acordo, não devemos desviar-nos do facto de terem escolhido um Brexit duro, retirando assim tantos dos benefícios da adesão à UE", lamentou a nacionalista escocesa.

"E embora não tenhamos ainda todos os detalhes sobre a natureza do acordo, parece que as principais promessas feitas pelo governo britânico sobre a pesca foram quebradas e a extensão destas promessas quebradas tornar-se-á evidente para todos muito em breve", concluiu.

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