UE não reconhece eleições na Bielorrússia e vai impor sanções

Alexander Lukashenko foi, segundo os resultados oficiais do escrutínio, reeleito para um sexto mandato com mais de 80% dos votos, mas bielorrussos contestam os dados nas ruas desde então. Presidente já deu ordem para travar as manifestações e reforçar as fronteiras.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou esta quarta-feira que as eleições presidenciais na Bielorrússia "não foram nem livres nem justas", pelo que os resultados não podem ser reconhecidos como válidos pela União Europeia (UE). Bruxelas vai impor sanções.

"Para nós, não há dúvidas de que houve muitas violações às regras eleitorais. As eleições não foram nem livres nem justas e o resultado não pode ser reconhecido", disse Merkel, numa conferência de imprensa em Berlim, após a cimeira por videoconferência com os restantes líderes europeus sobre a situação na Bielorrússia.

Nesse sentido, a chanceler alemã exigiu a Alexander Lukashenko, que teria sido reeleito pela sexta vez com pouco mais de 80% dos votos, a libertação "imediata e sem condições dos que foram presos pela repressão" de um regime que se mantém há 26 anos no poder.

Merkel lamentou que, atualmente, não exista qualquer possibilidade de mediação da situação na Bielorrússia, uma vez que Lukashenko "se nega a atender o telefone".

"Não é possível mediar se não se falar com todos os envolvidos. A situação é difícil, as eleições não lhe trazem legitimidade, mas Lukashenko continua no poder, pelo que o diálogo terá sempre de o incluir", sublinhou Merkel. A Alemanha está atualmente na presidência rotativa da União Europeia.

Sobre o conselho europeu que se realizou por videoconferência, Merkel referiu que se falou de possíveis sanções "pontuais" que não afetem a população bielorrussa, mas apenas os responsáveis pela repressão.

No seu entender, a Bielorrússia deve encontrar uma solução e um caminho de forma independente e sem intromissões estrangeiras.

Sanções

No final da cimeira extraordinária de chefes de Estado e de governo da UE, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, sublinhou que os 27 estão "solidários" com o povo da Bielorrússia e que vão apoiá-lo, garantindo que irá sancionar os responsáveis pela fraude nas presidenciais e pela violência, pois não aceita impunidade.

Charles Michel frisou que a mensagem "muito forte e unida" dos 27 para Minsk é "muito clara": "A UE está solidária com o povo na Bielorrússia e não aceita a impunidade", pelo que vai adotar "em breve" sanções contra "um número substancial de indivíduos responsáveis pela violência, repressão e fraude eleitoral".

A reunião de líderes dos 27 decorreu depois de os chefes de diplomacia da UE terem decidido, na sexta-feira, desencadear novas sanções contra os responsáveis pela repressão violenta das manifestações que contestam a recondução de Lukashenko e pela "falsificação" do ato eleitoral.

A oposição denuncia a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos saíram às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.

Os protestos têm sido duramente reprimidos pelas forças de segurança, com quase sete mil pessoas detidas, dezenas de feridos e pelo menos três mortos.

A candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaia, refugiada na Lituânia, apelou hoje à UE para não reconhecer o resultado das eleições.

"Peço que não reconheçam estas eleições fraudulentas. Lukashenko perdeu toda a legitimidade aos olhos da nossa nação e do mundo", disse Tikhanovskaia em inglês num vídeo publicado no YouTube.

Lukashenko reforça fronteiras

O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, ordenou ao ministro do Interior que impeça protestos e reforce as fronteiras, depois de semana e meia de contestação nas ruas da sua reeleição nas presidenciais.

"Não deve haver mais nenhum distúrbio em Minsk. As pessoas estão cansadas e pedem paz e tranquilidade", disse Lukashenko após uma reunião do conselho de segurança do seu governo, segundo declarações divulgadas pela agência estatal Belta.

Lukashenko ordenou o reforço do controlo nas fronteiras "para impedir que combatentes, armas, munições ou dinheiro provenientes de outros países entrem na Bielorrússia para financiar os distúrbios".

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